Alien: Covenant (2017)

Título Original
Alien: Covenant

Género
Terror

Realizador
Ridley Scott

Argumentistas
John Logan e Dante Harper

Elenco
Michael Fassbender, Billy Crudup, Danny McBride, Demián Bichir e Katherine Waterston


A equipa de uma nave colonizadora, enquanto viaja para um planeta remoto, descobrem um paraíso nunca antes visitado.
Rapidamente se apercebem que esse paraíso é na realidade um autêntico inferno que encerra horrores para lá da sua imaginação, e terão de fazer os possíveis e impossíveis para escapar.


Na minha crítica a Prometheus, o filme que supostamente seria o antecessor de Covenant, eu mencionei que esta sequela não seria aquela que Scott teria inicialmente em mente, e ao fim de ver o filme, posso confirmá-lo.

Covenant ignora todas as questões que são levantadas em Prometheus, todas as questões existenciais e filosóficas que esse filme levanta são tornadas em algo mudo e inexistente.
Aliás, este filme nem é necessariamente uma sequela, menciona alguns dos acontecimentos do filme anterior, mas fá-lo de uma forma em que não precisam de o ver para entender o que se passa aqui.
Neste momento Prometheus é um filme isolado, uma espécie de nota de rodapé com algumas curiosidades para os mais interessados.

Scott está a criar uma confusão autêntica com este universo, e apesar de poder fazer sentido na sua mente, para os fãs é simplesmente frustrante.
O realizador planeia fazer mais três filme da saga Alien, todos eles a terem lugar antes do original.
Assim sendo, o próximo projecto irá ser Alien Awakening, que terá lugar entre Prometheus e Covenant, e os outros dois irão ter lugar depois de Covenant.

É uma estrutura tão complexa e desnecessariamente confusa que me faz perder toda a vontade em seguir o seu desenvolvimento e apenas esperar que os filmes saiam todos para poder finalmente ver este Universo por ordem cronológica.
E pessoalmente, ao fim de ver Alien Covenant, acho completamente desnecessário regressar a Awakening para saber o que aconteceu antes, porque está tudo são claramente subentendido que não vejo qualquer apelo em contar essa história.

Com esses assuntos esclarecidos, e uma espécie de introdução em relação ao que vos pode esperar neste universo, vou então agora analisar Covenant.

Tal como Prometheus, o visual do filme volta a ser o aspecto onde consegue ser mais bem sucedido.
Scott é um mestre, e todos os seus filmes têm não apenas uma cinematografia maravilhosa, mas uma conciliação perfeita entre efeitos práticos e visuais. Conciliação essa que torna todos os momentos com aliens nos pontos mais altos do filme, dando uma assustadora realidade a todos aqueles monstros.

No que toca a argumento e desenvolvimento, segue muito as linhas de Prometheus e até de Alien.
Pessoas chegam a um planeta, vão investigar e uma a uma começam a sucumbir perante os horrores que as esperam.
E apesar de eu saber que estes acontecimentos se vão dar, e serem necessários para o filme poder desenvolver-se, acho que este poderá ser o filme da saga com as personagens mais estúpidas e irritantes desde há algum tempo.
As decisões que tomam e a forma como se comportam são completamente ridículas. Tendo em conta o treino a que foram submetidos, e a importante responsabilidade que têm para com os restantes membros da tripulação, a forma como as personagens se comportam é frustrante e ofensiva para a inteligência do público.

É um filme perfeitamente previsível do início ao fim, e julgo que o fazem propositadamente, já que todo o diálogo e certos sinais são perfeitos indicativos disso para quem estiver atento.
Eu não só sabia como o filme ia acabar, como rapidamente soube quem eram as personagens descartáveis e aquelas que iríamos acompanhar até ao final do filme.
E apesar de, como já disse isso poder ser propositado, torna a experiência enquanto espectador um pouco aborrecida, porque a partir do momento em que consigo adivinhar na perfeição aquilo que as personagens sentem e quais é que vão morrer, só me resta estar à espera para ver o gore gratuito e violento em como essas mortes acontecem.

Admito que ver o Xenomorfo novamente no grande ecrã, em toda a sua glória, é algo que dá um certo prazer e me colocou um sorriso na cara, mas não da forma que esperava.
A origem e explicação que Scott cria para o Xenomorfo, parece-me completamente ridícula e despropositada.
E isto aqui não é necessariamente uma crítica ao filme, é mais o meu gosto pessoal. Não gostei da decisão criativa que ele tomou para esta origem, não gostei mesmo nada.
E uma das personagens directamente relacionadas com esse acontecimento, e provavelmente a personagem mais importante do filme em si, tem um desenvolvimento cada vez mais estranho e difícil de aceitar se começarmos a colocar certas questões.

Por fim, em relação às prestações, é um elenco talentoso tal como em Prometheus, mas uma vez mais, é um talento desperdiçado.
Só há duas prestações dignas de destaque: Danny McBride e Michael Fassbender.

Fassbender porque não só é a personagem mais importante para o argumento e para o filme, mas porque consegue capturar na perfeição todas as dualidades de perspectivas e sentimentos que lhe serão exigidas.
É um actor extremamente talentoso, e aqui a interpretar um andróide, consegue alternar entre esvaziar a sua cara de qualquer expressão ou emoção, e enchê-la de várias ao mesmo tempo, interpretando claramente alguma confusão em relação a qual seria a mais apropriada.

McBride surpreendeu-me muito, não só porque não é descartado como elemento cómico mas como consegue oferecer alguns momentos dramáticos de qualidade, bem interpretados e com a dose emocional correcta. Um actor que gostaria sem dúvida alguma de continuar a ver em papéis mais exigentes e merecedores deste seu lado artístico.

Se vão ver este filme à procura de uma sequela para Prometheus, irão ficar desiludidos.
Se vão ver este filme à procura de uma prequela para Alien, irão ficar desiludidos.

É na sua essência uma filme que pega em elementos de desses filmes e os mistura o melhor que pode, de forma a oferecer alguns momentos de horror e ficção científica, mas nada mais que isso.

Se tudo o que procurarem enquanto audiência for sangue, gore, horror e violência, com um visual belo e aterrorizador, irão adorar.
Nesse aspecto o filme é um sucesso!

Mas quando vejo o nome de Ridley Scott e Alien no mesmo poster, as minhas expectativas são mais altas que isso, necessito de um argumento e de personagens interessantes e profundas, algo que aqui não aconteceu.
Com um argumento determinado em tornar o filme previsível, e uma narrativa que toma decisões questionáveis em relação a certas personagens, Covenant não foi o filme que eu esperava.
Oferece elementos visuais de qualidade fantástica, e aumenta muito o gore e horror que Prometheus conteve, mas ficamos apenas por aí.

O seu final também não cria grande curiosidade, talvez por sabermos para onde caminha, e com Awakening a ser prequela de Covenant, para já é irrelevante pensar nele.


Veredicto Final: 6/10

Filme desapontante com argumento previsível determinado a tirar o poder a todas as suas cenas.
Oferece efeitos deslumbrantes e um gore superior a Prometheus, se forem apenas à procura disso irão ficar satisfeitos, caso contrário, revejam o original que é bem melhor.

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