Os Últimos Na Terra (2015)

Título Original
Z For Zachariah

Género
Drama

Realizador
Craig Zobel

Argumentista
Nissar Modi

Elenco
Chiwetel Ejiofor, Chris Pine e Margot Robbie


Num mundo pós apocalíptico devido a explosões nucleares que mataram a maioria da civilização, dois homens e uma mulher encontram-se num triângulo amoroso.


Indo contra todos os preconceitos e estereótipos do cinema pós apocalíptico, Z For Zachariah atreve-se a ser único, diferente e original.
É um filme que não se apoia em acção, terror ou até mesmo ficção científica.
É essencialmente um drama, com alguns elementos de thriller e romance, é um filme que se vai apoiar unicamente no seu argumento e nas prestações dos seus três, e únicos, actores.

Não é um argumento original, é uma adaptação da obra de Robert C. O’Brien, publicada em 1974.
Contudo não é uma adaptação fiel, utiliza o livro apenas como fonte de inspiração.
A obra de O’Brien tinha apenas duas personagens e desenvolve uma história extremamente negra e ao mesmo tempo, filosófica e simbolista, uma espécie de metáfora.
O argumento de Nissar coloca uma outra personagem na história, desenvolvendo um triângulo amoroso e colocando todo um novo leque de emoções como ciúme e inveja, algo que na minha opinião é uma decisão extremamente inteligente e atraente.

Z For Zachariah recebeu críticas maioritariamente positivas, com pessoas a elogiar o filme que, apesar da sua premissa simplista e passo lento, consegue criar um drama cativante. Havendo alguns a considerarem-no uma das melhores surpresas do ano.

Eu pessoalmente gostei do filme e tem imensas qualidades a seu favor, mas infelizmente tem aspectos que eram desnecessários e que por simples preguiça ou falta de imaginação, impedem-no de ser aquilo que realmente tinha potencial para ser.

Gosto da realização de Craig Zobel, é contida e simples, mas muito bem colocada e focada, deixando a história e as próprias personagens respirarem e poderem desenvolver-se de forma correcta. E a cinematografia também é em inúmeras cenas um trabalho de qualidade, oferecendo a luz apropriada e sabendo utilizar as lentes correctas nas várias ocasiões conseguindo criar planos mais vastos ou focando apenas as personagens e ignorando o fundo em que se encontram. É uma realização que ajuda a história e nunca a impede, nota-se que o realizador é alguém que compreendeu o argumento.

Haverão aqueles que poderão criticar o filme pelo seu desenvolvimento lento e passo arrastado, mas pessoalmente não me afectou ou causou grande impressão.
Poderão haver algumas partes mais questionáveis na sua necessidade, mas é tudo forma de criar uma relação mais forte entre as personagens.
Numa altura em que a capacidade de atenção das audiências só consegue ser captada por super-heróis ou explosões, este é realmente um filme que não interessará às massas, mas se encontrar aquele nicho da população que o saiba valorizar, a sua velocidade não será problema.

As prestações são o melhor do filme.

Margot Robbie, Chiwetel Ejiofor e Chris Pine são actores extremamente talentosos e esta é apenas mais uma prova disso.
A escolha de elenco foi inteligente, já que o filme se apoiará em tão poucas personagens,  era extremamente importante que os actores oferecessem prestações convincentes e profundas.

Robbie tem aqui uma das melhores prestações da sua carreira, demonstrando que já foram vários os filmes a desperdiçar o seu talento achando que seria apenas uma cara bonita.
Consegue demonstrar a inocência da sua personagem alidadas a uma extrema coragem e independência. Muito ignorante em relação a alguns aspectos, mas extremamente capaz em tantos outros. E a forma como Margot nada entre todas essas características sem nunca se perder e sabendo sempre qual a expressão facial a colocar para carregar a cena, é realmente algo de notável.

O grande problema deste filme, na minha opinião, é mesmo o argumento.

O livro só tem duas personagens, e é uma história negra que envolve abuso, tentativa de violação e noutro aspecto a própria arrogância da ciência perante o Apocalipse que causou.

A ideia de colocarem outra personagem no filme, foi genial, porque permitiu desenvolver o lado humano da história, focando temas como o ciúme a inveja e a solidão de forma mais realista e dolorosa.
O problema é que nenhuma destes temas é desenvolvido correctamente, é tudo mencionado numa cena ou noutra, mas não passa disso, apenas menções.
O filme tinha potencial para desenvolver o melhor do livro e acrescentar uma perspectiva nova e original, em vez disso desperdiça o melhor dos dois mundos.

Tudo isto faz com que o final do filme não tenha impacto nem significado.
É um final que não tem o sabor de final ou de conclusão, não há qualquer desfecho real, é tudo muito solto, e inicialmente julguei que ainda houvesse pelo menos mais meia hora de filme.
É um filme com um passo lento que se apressa exageradamente nos seus últimos 10 minutos, tentando encerrar a história de uma forma que não tem grande sentido, o que é uma pena, porque tinha hipótese de ser realmente um dos melhores filmes de 2015, em vez de cair no esquecimento.


Veredicto Final: 7/10

É um filme extremamente original na forma como toca no tema do apocalipse e no desespero dos sobreviventes.
Muito bem realizado e com prestações extremamente talentosas, que só é prejudicado por um argumento pouco desenvolvido que desperdiça o seu potencial num potencial e entrega um final insatisfatório.

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