Mine (2017)

 Título Original
Mine

Género
Guerra

Realizadores
Fabio Guaglione e Fabio Resinario

Argumentistas
Fabio Guaglione e Fabio Resinario

Elenco
Armie Hammer, Annabelle Wallis, Tom Cullen, Clint Dyer e Geoff Bell


Ao fim de uma tentativa de assassinato falhada, um soldado encontra-se abandonado no meio do deserto, quando pisa uma mina e não se pode mexer.
Exposto aos elementos, ele terá de tentar aguentar e sobreviver aos perigos do deserto e ultrapassar todos os obstáculos psicológicos e físicos que vêm com essa experiência.


É possível fazer um filme com poucos actores, ou até mesmo só com um, e conseguir não só manter o interesse do público mas desenvolver um projecto cativante, interessante que consegue entreter e emocionar.
São exemplos disso 127 Hours e All Hope Is Lost.

Regra geral, os filmes deste género colocam sempre a personagem principal numa situação extremamente difícil de superar, e durante esse processo tanto o público como essa personagem são confrontados não só com o sofrimento físico que a situação em si impõe, mas também o psicológico. O filme confronta a audiência com momentos introspectivos que sem dúvida alguma nos farão olhar para certos aspectos da vida de forma diferente. São filmes que, se tiverem sido bem feitos, ficam com o espectador quando ele sai da sala, deixam-no a pensar.

Mine é obviamente um filme que quer atingir todos esses aspectos, e na sua essência é notório o seu potencial, mas infelizmente o filme é desperdiçado e enterrado numa realização pretensiosa e num argumento que assume que a sua audiência não consegue captar nenhuma das mensagens ou dos simbolismos se não forem repetidos dezenas de vezes durante o filme.

No meio do deserto, numa área com cerca de 33 milhões de minas por detonar e espalhadas por todo o lado, o sniper Mike Stevens está numa missão para localizar e neutralizar o líder de uma célula terrorista.
Ao fim de três meses e seis dias no deserto, um momento de hesitação será suficiente para dar cabo da missão, e agora o sargento encontra-se abandonado em território hostil.
Para piorar a situação, ele pisou uma mina e não se pode mexer.
Agora, terá de aguentar naquela posição e naquele lugar até a ajuda chegar, enfrentando o ambiente inóspito e a falta de água durante cerca de 52 horas.
Entre o calor intolerável do dia e o frio arrepiante da noite, Stevens terá não só de enfrentar a natureza mas o maior adversário de todos: ele próprio.

Esta é a grande premissa do filme, que logo de início não começa por ser desenvolvida da melhor forma.
O motivo pelo qual a missão corre mal é porque quando confrontado com o possível líder da célula terrorista, ele hesita e decide não disparar, porque não tem a certeza e porque está a ocorrer um casamento.

Olhemos para os factos:
– O casamento está a ocorrer no meio do deserto, numa zona sem ninguém por perto e em território inimigo;
– O jipe em que é suposto estar esse criminoso é preto, e ele chega num cinzento escuro;
– E por fim, não há convidados no casamento. Há os noivos, esse terrorista e cerca de 15 homens armados.

É aquele o líder da célula.
Isso é óbvio para o colega dele, para os superiores que estão a contactar via rádio e a ordenar que ele dê o tiro, e é óbvio para os espectadores deste filme.
Contudo, devido a um motivo pessoal de ele estar a pensar na namorada que deixou sozinha em casa, deixa-se emocionar e não consegue dar o tiro.
Os inimigos vêem a mira dele a brilhar ao sol, outro erro do filme já que as miras dos snipers são criadas com um material que impede que isso aconteça, e durante a fuga ele irá ficar naquela situação comprometedora e difícil que iremos acompanhar durante o resto do filme.

O motivo pelo qual ele não dá o tiro, é uma tentativa fútil de os argumentistas nos apresentarem a personagem principal como sendo alguém bom.
O problema é que neste cenário ele acaba por ser apenas emocional, estúpido e ignorante. O que não é bom para uma personagem que vamos ter de tolerar durante o filme todo, e menos ainda para um soldado sargento que ocupa a posição de sniper no exército americano.

Durante o resto do filme, o argumento não melhora.
A grande mensagem que o filme tenta passar é a de que aquela mina é uma metáfora.
E assim, tal como quando pisamos a mina temos de ficar parados, ao longo da nossa vida são vários os momentos em que deveríamos fazer o mesmo. Não “ficar parado no sentido de não nos mexermos”, mas sim no sentido de não recuarmos, não termos medo, não fugir.
“Stand your ground”, defende o que é teu, defende aqueles que amas e aquilo em que acreditas.

É uma metáfora inteligente, e o filme desenvolve-a com dois grandes momentos na vida da personagem:
– O seu pai abusivo;
– A namorada que deixou pelo exército.

O grande problema é que vamos ver essa mensagem, e apenas essa mensagem, durante o filme todo.
Nunca há nada de novo nem de diferente, é o mesmo tema a ser repetido vezes e vezes sem conta, inclusive o barulho de uma mina a ser pisada que aparece em praticamente todas as cenas de flashback.

Os argumentistas criaram um argumento que acharam ser complicado demais para o público, e então decidem repetir a mesma coisa várias vezes, para entregarem a sua mensagem.
E tudo o que conseguem é irritar, aborrecer e desligar a audiência de tudo o que está a acontecer no ecrã.

A realização do filme consegue estar um pouco melhor, mas tenta ser tão desnecessariamente artística, que impede todo a parte emocional de ser desenvolvida.
A própria construção da narrativa é aborrecida e confusa. Não há uma noção clara de quando é suposto estarmos a ver alucinações ou algo real.
Numa das cenas ele é atacado por lobos, e julgamos ser alucinações. Contudo, de manhã os corpos estão, de seguida numa outra cena já só há sangue, e numa terceira já não há nada. Isto não é propositado, são óbvios erros de continuidade.

A cinematografia em si consegue salvar alguns momentos, e tem certos aspectos técnicos com o ambiente e a luz que beneficiam o estado emocional da personagem em alguns momentos.

A edição e a forma como o filme está construída é deveras ambiciosa e consegue surpreender com a revelação final.
Mas, quando chegamos ao fim já estamos tão fartos e aborrecidos que nada nos afecta, queremos apenas que acabe.

Na minha opinião este filme tem um único aspecto de sucesso: Armie Hammer.
É notório durante todo o filme o esforço que o actor faz em carregar a película, desde o seu diálogo, por menor que seja, até à carga mais emocional que a história implica.
Armie é um actor talentoso, mas infelizmente este não é o filme que lhe irá dar grande oportunidade para brilhar.

Não que a prestação seja má, longe disso, mas não há material decente com o qual ele possa trabalhar.
Contudo, foi um projecto ambicioso da sua parte, que apesar de não alcançar o pretendido, continua a ser um passo na direcção correcta ao fim de The Lone Ranger lhe atrasar um pouco a carreira.


Veredicto Final: 4/10

É um filme que desperdiça a sua premissa promissora e o seu actor talentoso numa realização pretensiosa e trapalhona e num argumento repetitivo que não se consegue desenvolver.
Algures aqui haveria um bom filme a ser feito, infelizmente os Fabios não foram as pessoas certas para o conseguirem.

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