Aftermath (2017)

Título Original
Aftermath

Género
Drama

Realizador
Elliot Lester

Argumentista
Javier Gullón

Elenco
Arnold Schwarzenegger, Scoot McNairy, Maggie Grace, Judah Nelson e Larry Sullivan


As vidas de dois estranhos ficam interligadas ao fim de uma terrível colisão entre dois aviões.


A 1 de Julho de 2002, o avião 2937 das Bashkirian Airlines teve uma colisão com o avião 611 da DHL, causando a morte de todos os seus tripulantes.

Este desastre ocorreu devido a erro humano, uma série de circunstâncias infelizes dentro da sala de controlo do apoio aéreo levou a que estes aviões ficassem na mesma rota.

Aftermath vai-se inspirar-se neste acontecimento, particularmente na forma como ele afectou o “responsável” pelo desastre e um dos familiares de duas das vítimas.

Antes de iniciar a crítica em si é necessário deixar bem claro que esta não é uma história fácil de adaptar.
E o motivo que cria essa dificuldade não é o desastre em si, mas sim o que acontece depois.

Quando isto aconteceu na realidade, Vitaly Kaloyev perdeu a sua esposa e os seus dois filhos neste desastre.
E quando processou a companhia aérea, ele não procurava dinheiro nem compensação, procurava apenas um pedido de desculpas. Ele queria que alguém assumisse a responsabilidade e se demonstrasse honestamente arrependido pelo que sucedeu.

O encontro que ele teve com Peter Nielsen, o responsável da sala de controlo na altura do acidente e com o presidente da companhia, não correu como ele esperava.
Discutiram, e no calor do momento, Peter bateu na mão de Vitaly, deitando ao chão o envelope com as fotografias dos seus filhos e esposa.

Para Vitaly, que já estava à beira de uma quebra psicológica e depressiva, isso foi a gota de água, e mais tarde, na casa de Peter Nielsen, Vitaly assassinou-o à frente da sua mulher e dos seus filhos.

Isto é absolutamente devastador.
Temos um desastre que matou milhares de pessoas e destruiu milhares de famílias, e de seguida ainda temos um homem que destroçado com a dor, assassina aquele que acha ser o responsável, deixando a esposa de Peter viúva e os seus filhos sem pai.

Criar um filme baseado nestes eventos é entrar em águas muitos turbulentas.
Não podemos apresentar Vitaly como a vítima, porque assim estamos a ofender a família de Peter; e não podemos apresentar Peter como a vítima porque assim estamos a ofender a memória de todas aquelas pessoas que morreram no desastre e todos os seus familiares que sentiram e sentem essa dor.

O que o argumentista Javier tentou fazer foi algo perfeitamente lógico, equilibrar a história de Peter e Vitaly, tentando criar empatia com ambas as personagens, demonstrando ao público que tanto um como outro sofreram à sua maneira.
Um sofre pelas pessoas que perdeu, e outro sofre pelas vidas que “tirou”.

Até cerca de metade do filme, isso é feito de forma razoável.
Não estava a ser um filme bom, mas também não era necessariamente mau, tinha os seus clichés e alguns problemas de coerência e estrutura na forma como contava a história, mas era na generalidade algo razoável, medíocre.

Contudo, por algum motivo, a dada altura o filme transforma-se em algo completamente diferente.
As personagens começam a ter comportamentos completamente contraditórios a tudo o que nos foi apresentado antes, começam a agir de forma antinatural, o filme começa a dar saltos temporais maiores e todo o trabalho positivo que tinha sido criado até ali, é destruído.

A segunda metade do filme é um deslize constante que culmina num final muito cliché, preguiçoso e repentino.
A primeira metade do filme não aponta em nada para aquele final, as personagens não foram desenvolvidas nesse sentido, não foram criadas para cometer aquele final.
Juntando a isso o facto de nada neste filme ser desenvolvido como era suposto, optando em vez disso por saltar constantemente no tempo para mostrar as personagens como quer sem ter o trabalho de caminhar até lá, e Aftermath torna-se ele próprio um autêntico desastre.

Schwarzenegger é um actor que começa a reconhecer a idade que tem, e este pode muito bem ser ele a dar passos na direcção de filmes mais dramáticos, tentando explorar um outro lado da sua carreira, algo que fez apenas em Maggie e pouco mais.
Apesar de este não ser o filme que lhe vai valer elogios nessa área, continua a ser notável o esforço que ele faz em várias das cenas, tentando demonstrar a sua vulnerabilidade e estado mental debilitado.

McNairy, por sua vez, é um actor talentoso que é desperdiçado com a personagem mal desenvolvida que lhe é aqui entregue e nunca tem a hipótese de explorar o papel como poderia eventualmente querer.

Respeito a tentativa que aqui é feita, e ao início a estrutura com que dividem a narrativa é realmente interessante e parece prometer algo com qualidade, mas infelizmente não souberam desenvolver a ideia da melhor forma, ficou tudo muito superficial e mal explorado, criando conflitos interiores na própria história

A realização também não é nada demais, nunca há um ângulo cinematográfico que mereça mais atenção ou destaque.
Gosto do silêncio que Elliot coloca em muitas das cenas, optando não por grande bandas sonoras e instrumentos mas sim por um silêncio destrutivo, é um artista que explora a sua canvas com muita calma e tranquilidade.
Pode muito bem ter sido o único que soube realmente compreender a melhor forma de focar a história.


Veredicto Final: 5/10

Começa com uma boa estrutura narrativa e alguma promessa, mas a segunda metade e o seu acto final destroem completamente toda a qualidade que foi criada ao início.
As personagens tornam-se conflituosas e antíteses daquilo que eram antes.
Tem uma prestação esforçada por parte de Schwarzenegger, que tenta reinventar-se, mas infelizmente o filme não acompanha o seu esforço.

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