A Bela e o Monstro (2017)

Título Original
Beauty and the Beast

Género
Musical

Realizador
Bill Condon

Argumentistas
Stephen Chbosky e Evan Spiliotopoulos

Elenco
Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Josh Gad e Kevin Kline


Uma adaptação do conto de fadas sobre o amor que nasce entre uma jovem rapariga e um príncipe com aspecto monstruoso.


Em 1991, “A Bela e o Monstro” foi o ponto alto do renascimento da Disney dentro do mundo da animação.
O filme foi um sucesso comercial e crítico, ganhando aclamação e adoração universal tornando-se a primeira longa metragem de animação a ganhar um Globo de Ouro para Melhor Filme na categoria de Comédia ou Musical.

Cerca de 26 anos depois, numa época em que a Disney tem estado a adaptar todos os seus sucessos de outrora para live-action, chega a vez de “A Bela e o Monstro”.
É uma adaptação que irá dar a conhecer a história aos mais novos e deliciar os fãs do original, já que captura todos os elementos mágicos do universo da Disney na perfeição.

É um filme que tal como todos os outros reboots tem como objectivo principal o lucro, mas isso não o impede de ser uma delicia visual e musical.
Apesar de não acrescentar nada ao original, e não conseguir substituir o seu legado ou a sua magia, é uma adição e reimaginação de qualidade louvável.

A história já é conhecida a todos nós:

Adam, um príncipe arrogante e muito convencido que só dá valor à futilidade e efemeridade da sua beleza, é amaldiçoado e transformado num monstro, e todos os que o servem são transformados em objectos animados.
A única forma de ele poder regressar ao seu aspecto humano é se conseguir que alguém se apaixone por quem ele é, pela sua beleza interior, apesar do seu horrível aspecto exterior.
E é aqui que entra a personagem principal de Belle, a nossa heroína.

Esta nova longa metragem irá ser cerca de 45 minutos mais longa que o filme original, e não o prejudica, já que é notório o esforço que foi colocado em certos aspectos para desenvolver melhor as personagens e tapar algumas lacunas da sua história, para além de alongar alguns dos números musicais.
Mas, na sua essência a história é a mesma.

Foi um filme que esteve rodeado em alguma polémica na altura do seu lançamento, enfrentando duas grandes críticas, uma das quais já teria sido lançada ao original no passado.
A crítica mais recente referia-se ao facto da personagem de LeFou ser homossexual e a mais antiga refere-se ao facto de alguns acreditarem que isto dá uma ideia errada sobre uma mulher se apaixonar pelo seu captor, que poderá influenciar a mente das mais jovens de forma errada.

A minha resposta em relação a esta última crítica é que as pessoas que apenas vêem essa mensagem no filme não fizeram a mínima ideia de qual é a moral da história.
A mensagem do filme é que o que conta é a beleza que temos no nosso interior, o que define um amor real e puro é a pessoa que somos, o nosso carácter e a nossa personalidade, e não o nosso aspecto.
Este filme torna o motivo pelo qual ela fica lá, em algo bem aceitável e credível e desenvolve a sua relação com pontos comuns entre as personagens de forma bem pura e inocente.
Numa sociedade em que é dada tanta importância à futilidade de um aspecto que todos iremos perder mais cedo ou mais tarde, acho que este filme manda a mensagem ideal para todas as jovens, de que interessa mais a sua personalidade do que as suas curvas ou a quantidade de tempo que se perdem a maquilhar.

Aqui dou também destaque à personagem de Belle que poderá muito bem ser uma das personagens femininas mais louváveis dos últimos tempos.
Sendo Emma uma feminista, compreendo a paixão dela pelo filme e pelo argumento. Belle não é uma donzela em apuros, é uma personagem muito forte e independente, a heroína da sua própria história, e apesar de ficar com o príncipe, é ele quem deve a ela a sua salvação. Belle é o exemplo perfeito para qualquer menina que queira ser uma princesa, alguém inteligente com os valores certos e as prioridade bem definidas.

Em relação à primeira crítica, não acho que valha a pena tecer comentários.
Pessoas que impedem os seus filhos de ver um filme apenas porque uma personagem pode ser homossexual têm uma ignorância tão grande e intrínseca que não há realmente argumentos que a mudem.
Dá-me pena que crianças sejam impedidas de ver o filme devido à estupidez dos seus pais, e podemos apenas desejar que cresçam para ser pessoas mais respeitadoras dos direitos dos outros.

O filme sucede em dois grandes aspectos: visual e musical.

Todo o aspecto do filme é absolutamente surpreendente e fenomenal. O trabalho que foi aplicado nos guarda-roupas, caracterização das personagens, decoração das casas, castelo e aldeia é absurdamente grande.
E saber que foi tudo construído para este filme, saber que houve milhares de pessoas a trabalharem em cada pormenor que aparece naquele ecrã, seja ele algo prático ou efeito especial, é absolutamente inacreditável.

Aliado a todos esses detalhes estão os números musicais que já nos apaixonaram no passado e que voltam aqui a fazê-lo novamente, e aos que viram o original, irá transportar-vos numa deliciosa dose de melancolia e nostalgia.
O elenco faz um bom trabalho não só nas suas canções mas também em todas as coreografias que tiveram de trabalhar por horas a fio para apenas alguns minutos de ecrã.
É realmente delicioso ver certos aspectos do original a serem capturados em live action, ainda que muitos deles sejam obviamente dependentes de CGI.

Ryan Gosling  recusou entrar neste filme para poder entrar em “La La Land”, e Emma Watson fez exactamente o inverso.

Ambos tomaram a decisão correcta, já que Gosling ganhou uma nomeação para Óscar e Watson entrou num filme que na minha opinião é um musical de qualidade bastante superior.
E, ao fim de ver Watson a interpretar Belle, custa imaginar mais alguém no lugar dela.
E isso pode ser dito do elenco na sua grande generalidade, já que até os actores que são essencialmente apenas as vozes dos objectos e que aparecem como pessoas por pouco tempo, foram escolhidos na perfeição. Alguns deles fizeram uma prestação tão boa que estavam com uma voz praticamente irreconhecível.
Não pude deixar de sentir um certo aperto no peito por saber que se ainda fosse vivo, Alan Rickman certamente que faria parte do filme.

Acabo por elogiar o grande talento que a Disney tem em reconhecer os artistas mais indicados para os projectos.
Bill Condon, um fã enorme do original, realiza este remake com amor e respeito.
A sua atenção a todos os pormenores está lá, e juntamente com o argumentista, conseguiu contar esta história de outrora fazendo as alterações necessárias.
É um filme que certamente irá estar na próxima edição dos Óscares em inúmeras categorias, e irá merecer todas as suas nomeações.


Veredicto Final: 8/10

É um filme que sucede em recriar a magia do original dando a conhecer esta história aos mais novos e a relembrar aos seus pais do quão maravilhoso é o universo da Disney.
Um filme com um visual absolutamente delicioso e com números musicais cativantes e emocionantes.
O motivo do filme existir poderá ser o lucro, mas é notório durante toda a sua duração o amor e dedicação que todos depositaram no produto final.

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