Mulher-Maravilha (2017)

Título Original
Wonder Woman

Género
Acção

Realizadora
Patty Jenkins

Argumentista
Allan Heinberg

Elenco
Chris Pine, Gal Gadot, Connie Nielsen, Robin Wright e Danny Huston


Antes de ser a Mulher Maravilha, ela era Diana, princesa das Amazonas, guerreira.
Quando um piloto se despenha na sua ilha e lhe conta dos conflitos que o mundo externo está a enfrentar, ela abandona o seu povo para lutar na guerra que poderá acabar com todas as guerras, descobrindo os seus poderes e o seu verdadeiro destino.


Até ao momento, ainda não houve um único filme liderado por uma super-heroína que tenha tido sucesso ou qualidade.
E a última tentativa foi há 12 anos atrás com Elektra.

Da mesma forma, ainda só houve uma mulher a realizar um filme de super-heróis, e isso foi há 9 anos atrás com Punisher: War Zone.
Patty Jenkins é a segunda mulher a fazê-lo, e a primeira na história a realizar um filme com orçamento superior a 100 milhões de dólares.

Wonder Woman é provavelmente a super-heroína mais popular que existe, já foi criada há 76 anos atrás e nunca tinha sido adaptada para o grande ecrã, apesar de já ter tido a sua série de televisão nos anos 70 e um horrível filme feito para a TV em 2011.

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O motivo pelo qual dei esta introdução é porque sinto que é necessário explicar toda a pressão que estava a ser exercida sobre este filme.

Para Wonder Woman não se tratava apenas de ser um bom filme, as expectativas iam para além disso.
Tinha de ser o primeiro filme deste novo universo da DC a receber críticas positivas, tinha de agradar aos fãs da BD e tinha de conseguir lucro para justificar o seu orçamento de 150 milhões de dólares e garantir uma sequela.

Mas, mais importante que isso, existia a pressão social.
Wonder Woman podia finalmente demonstrar a Hollywood que é possível para uma super-heroína ser a estrela do seu próprio filme e fazê-lo com qualidade e sucesso.
Não se tratava apenas de mais uma história de banda desenhada, era uma mensagem bem real sobre feminismo e “women’s empowerment” .

A um nível mais pessoal, eu queria apenas um bom filme.

A DC a nível de material narrativo e de histórias, tem para mim muito mais interesse que a Marvel, mas infelizmente, isso não tem estado a ser traduzido para os ecrãs da melhor forma.

Enquanto a Marvel é aquela máquina bem oleada que continua a criar sucesso atrás de sucesso, a DC desde Man Of Steel que não me consegue agradar.
Odiei Batman V Superman e achei Suicide Squad um filme frustrante pelo elenco que desperdiçou num filme mal editado e com uma história muito pouco apropriada para as suas personagens.

Por isso é com grande alívio que posso finalmente dizer que a DC começou a dar os passos na direcção certa.
Este filme é sem dúvida o sucesso que todos desejávamos que fosse.

Existem três filmes que servem obviamente de inspiração para Wonder Woman:
Superman (1978)
Captain America: The First Avenger (2011)
Thor (2011)

Superman, o filme original de 1978 irá ficar na história de Hollywood como um dos filmes mais poderosos e inspiradores de sempre.
Christopher Reeves captura na perfeição a essência do que é o Super-Homem e o que o torna realmente Super, e não são os seus poderes, mas sim a sua personalidade e inocência, os seus valores puros e honrosos.
Em Wonder Woman, Diana Prince é desenvolvida exactamente da mesma forma, com a mesma inocência e os mesmos valores, e Patty Jenkins faz questão de criar um tributo ao filme de Richard Donner em duas das suas cenas, retratando o seu poder físico numa delas e a seu comportamento mais trapalhão a lidar com o mundo civil numa outro mais cómica e leve.

O filme do Capitão América será inevitavelmente aquele onde mais paralelismos poderão ser criados, mesmo que eles tenham decidido aqui desenvolver a história na Primeira Guerra Mundial em vez de o fazerem na Segunda.
Esses paralelismos poderão ser encontrados não apenas na forma como é unida a equipa com que Diana (Gal Gadot) vai para a guerra, mas também no rumo que Steve Trevor (Chris Pine) tem. E claro, apesar de isso já vir da banda desenhada e não ser propositado, as semelhanças entre Steve Trevor e Steve Rogers não se ficam apenas no desenvolvimento da personagem, mas também no nome, cabelo e personalidade.

Em relação a Thor, já é algo muito menor e que pode ser visto um pouco no início e no final do filme.
No início é possível ver algumas semelhanças na narração da mitologia, e no final é notória a semelhança entre o vilão e o próprio desenvolvimento da batalha.

Wonder Woman distingue-se claramente dos seus predecessores neste universo, é um filme humorístico, com imensa acção e carga emocional, mas ainda assim alegre, positivo e extremamente colorido e inspirador.

É o filme perfeito para aquilo que a personagem representa, e apesar de ter uma história cliché e seguir um registo que já é habitual neste género, consegue criar uma narrativa coerente com personagens bem desenvolvidas que irão estabelecer uma forte ligação e empatia com o espectador.

É uma história que nunca tenta ser demasiado complicada ou desnecessariamente misteriosa, aceita-se a ela própria pela sua simplicidade e honestidade.
No fundo, este é um filme que nos relembra mais a Marvel do que a DC, devido à forma leve e humorística com que se desenrola.

O único ponto negativo será a forma como os seus vilões são tratados, sendo pouco desenvolvidos e um deles até bem irrelevante e insignificante quando vemos o filme uma segunda vez.

A nível de prestações o filme irá apoiar-se maioritariamente em Chris Pine, Gal Gadot e na química que este dois protagonistas estabelecem entre si.

Chris Pine é um actor extremamente talentoso e capaz, dando provas disso mais recentemente no fenomenal Hell Or high Water, já Gal Gadot é uma actriz muito mais limitada e incapaz no que toca à carga emocional e mais dramática das cenas em que participa.

Ela é óptima na acção e até nos momentos mais leves e cómicos em que se encontra com Pine, mas infelizmente sempre que lhe é pedido para representar alguma emoção mais profunda como a dor de perder alguém ou a intensidade dramática de alguma revelação lhe ter sido confidenciada, já não consegue exprimir tão facilmente aquilo que pretende.

Felizmente, a realizadora do filme soube reconhecer e compreender essas limitações e devido a isso, Pine é o grande pilar do filme e a muleta de Gadot.
É ele quem alimenta grande parte das cenas cómicos e emocionais do filme, ficando encarregue de preparar todos esses momentos para Gadot ter uma reacção mais curta e contida.
Jenkins soube encontrar um equilíbrio na divisão de tarefas entre os protagonistas.

Ainda assim, continuo a achar Gal Gadot como uma óptima escolha para o papel, e forneceu um trabalho bem aceitável e melhor do que eu esperava. Tenho esperança que com tempo só vá melhorar, e que na sequela já consiga carregar todas as suas cenas sem necessitar de um apoio.

Contudo, o grande trunfo deste filme é Patty Jenkins.
É ela a verdadeira Mulher-Maravilha, e a razão deste filme ser tão bom como é.

Soube interpretar o argumento, soube reconhecer as limitações e os pontos fortes do seu elenco e soube equilibrar na perfeição a acção com o humor e as doses necessárias de emoção ao longo de todo o desenvolvimento da película.

O filme tem sempre um passo muito seu, sem se apressar ou abrandar desnecessariamente, Jenkins soube deixar as cenas respirarem e durarem o tempo que lhes era aceitável. E o exemplo perfeito disto acontece perto do final, quando Steve tem que tomar uma decisão, e em vez de a tomar rapidamente e impedir o público de a sentir, a cena abranda, Steve exprime todas as suas emoções e depois aí, quando o espectador está com ele e a sofrer a seu lado, é que a decisão é finalmente tomada.
São pormenores destes ao longo de todo o filme que demonstram o quão profunda é a visão artística de Jenkins.


Por fim, é um filme que consegue dar poder às mulheres sem necessitar de ofender ou menosprezar os homens.

Sim, Diana é realmente mais poderosa e rápida que os homens do filme, mas não é por isso que ela é uma grande mulher, ela é-o devido à sua personalidade, honestidade e integridade.
Os homens que a rodeiam são pessoas decentes, corajosas, íntegras e determinadas, que irão ajudá-la a alcançar os seus objectivos, não pelos seus poderes, mas por reconhecerem a mulher de valor que ela é.

O que torna a Wonder Woman superior ao comum dos mortais não é que nós valemos menos, mas sim ela que vale mais.
Mas não é um “mais” que nos torne inferiores, é um “mais” que nos pede para melhorarmos e chegar ao nível dela, um “mais” que motiva e nunca um que inferioriza.

Diana Prince e Steve Trevor são dois lados opostos da mesma moeda, apoiando-se mutuamente ao longo de todo o filme.
Patty Jenkins consegue aqui dar mais poder às mulheres sem sentir necessidade de o ir tirar aos homens, não há qualquer hipocrisia, apenas respeito e igualdade.


Veredicto Final: 8/10

A DC tem finalmente um êxito nas suas mãos.
Wonder Woman é tudo aquilo que os fãs podiam esperar e mais ainda.
Um equilíbrio perfeito entre acção e humor, com uma dose suficiente de emoção para ter importância e significado.
Os vilões poderiam estar mais desenvolvidos, mas é apenas uma pequena falha num filme carregado de qualidade.

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3 thoughts on “Mulher-Maravilha (2017)

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