Crítica – The Belko Experiment (2017)

Título Original
The Belko Experiment

Género
Terror

Realizador
Greg McLean

Argumentista
James Gunn

Elenco
John Gallagher Jr., Tony Goldwyn, Michael Rooker, John C. McGinley e Sean Gunn


Numa experiência social macabra, 80 americanos são trancados no seu escritório em Bogotá, Colombia e são ordenados por uma voz que sai do altifalante a assassinarem-se uns aos outros.


The Belko Experiment é aquilo a que eu gosto de chamar um “filme de premissa”.

Os “filmes de premissa” são aqueles que começam com uma ideia base original e interessante, com grande potencial de exploração e desenvolvimento, que o estúdio aceita na esperança de gerar dinheiro devido à curiosidade que poderá provocar na audiência.

Apesar de não ter estado na reunião quando James Gunn apresentou a sua ideia para o argumento que estaria a desenvolver ou tinha desenvolvido, assumo que a sua premissa envolvesse a fusão entre Office Spade e Battle Royale. Apesar de também se poder argumentar que a experiência prisional de Stanford tenha contribuído em alguns aspectos da psicologia social que tentam explorar.

Este era um filme que coloquei na lista dos filmes mais antecipados para 2017, e tal como Kong: Skull Island, revelou ser desapontante. Mas ao contrário de Kong, este revela ter uma existência ainda mais irrelevante e torna-se uma experiência aborrecida e frustrante.

80 trabalhadores ficam trancados no edifício em que trabalham.
À medida que tentam descobrir o que se passou, o porquê daquilo estar a acontecer, é-lhes revelado que o suposto GPS que tinham instalado na parte de trás das suas cabeças é afinal um dispositivo explosivo, dispositivo esse que está agora a ser controlado por quem os trancou no edifício.
É nesse momento que surge uma voz no altifalante a dar a ordem de que eles têm cerca de duas horas para matar 30 pessoas, caso contrário 60 dispositivos explosivos irão ser detonados.

Não é necessariamente uma ideia original, mas se fosse explorada de forma correcta havia aqui material para criar um filme de qualidade.

Havia muitas formas de explorar a ideia, mas as principais são duas:
– Sátira, com elementos de comédia negra que exploravam o horror e o humor da situação;
– Estudo social, que tentava explorar os diferentes comportamentos e as diferentes decisões que os trabalhadores iriam tomar, explorando instinto de sobrevivência, a psicologia social e a humanidade de cada uma das personagens. Seria um thriller de horror, com uma certa mensagem a ser entregue no final.

E é aqui que está o maior problema de The Belko Experiment, temos um argumento escrito por James Gunn que quer ser uma sátira, e uma realização de Greg McLean que quer entregar um filme de puro terror e gore, nunca encontrando um equilíbrio ou o tom correcto para aquilo que está a acontecer no ecrã.

Mas, apesar de ser esse o problema principal, o filme continua a ter imensos defeitos que, pelo menos a mim, dificultaram qualquer tipo de entretenimento ou satisfação quando o final chegou.

Gunn, apesar do realizador não ter entendido o seu material, escreveu à mesma um argumento defeituoso e incoerente.
É uma sátira que tenta ao mesmo tempo, ocasionalmente, colocar umas certas questões ao público do género de: O que é que tu farias?
Mas ao não desenvolver qualquer uma das personagens e ser extremamente previsível, a audiência nunca irá colocar essas questões, porque não há qualquer tipo de empatia com nenhuma das personagens e dos polos opostos que elas representam.

Aqueles que querem matar, mesmo antes de tudo começar, já são revelados como pessoas extremamente degradantes e psicologicamente problemáticas, desde aquele que manda umas certas vibes de violador, ao cobarde sem qualquer tipo de espinha e acabando naqueles que já se sabe que são puramente maus e desumanos e qual a posição que vão tomar.
Por outro lado, aquele que é suposto ser a voz da razão é sempre tão calmo e “bom” que se torna irreal, frustrante e irritante.

Os actores têm todos prestações horríveis, e apesar de isso poder ser algo que o filme pretende, ao querer ser um filme de classe B, com o horror clássico de outrora, não conseguem ser prestações más ao ponto de serem “boas”, são apenas más.
E o pior, é que ninguém partilha qualquer tipo de química, todas as relações entre as personagens são apresentadas de forma extremamente fraca e irreal, não há qualquer esforço em desenvolvê-las ou tentar convencer o público.

Juntando a isso o facto de o filme perder cerca de meia hora a seguir uma personagem que assumimos ser crucial para a história apenas para ela morrer de forma tão repentina e previsível, o que temos aqui é má decisão atrás de má decisão.

Outro aspecto negativo é a escala do filme.
Com apenas cinco milhões, os produtores e mentes creativas por trás do projecto deviam ter percebido que não tinham orçamento para a escala que apresentam aqui.

É suposto serem 80 pessoas as que estão trancadas no edifício, mas nunca vemos mais que 30/40 em nenhuma das cenas.
E as imagens do exterior em plano afastado são feitas com um CGI de qualidade tão baixa, que desliga qualquer um do filme que está a ver.
O filme devia ter sido feita com apenas cerca de 40 pessoas num edifício mais pequeno e real, que não necessitasse de CGI.

No final do filme, poderia haver um esforço para tentar dar alguma relevância a toda a violência que acabámos de ver, podia ser revelado que o objectivo era estudar a psicologia humana, ou criar um ser vazio de emoção, ou apenas alguma espécie de tortura, qualquer coisa…
Mas não há nada, não há qualquer explicação para o que acabou de acontecer, ficamos apenas com a noção de que tudo aquilo ocorreu apenas porque sim.

E quando a história e o que aconteceu não tem significado nem relevância, o filme acaba por ser igualmente vazio e insignificante, o que revela ser apenas um desperdício de tempo para o espectador.

Podia argumentar que iria ser um filme que interessasse apenas aos que gostam de violência e gore, mas mesmo nesse aspecto não acho que haja aqui nada de suficientemente chocante para satisfazer essa parte do público.


Veredicto Final: 4/10

É um filme que tem uma premissa cativante, mas que fica apenas por aí.
Com um argumento problemático, que é mal interpretado pelo realizador e com prestações fracas por parte dos actores, The Belko Experiment é um filme essencialmente mau.
Se James Gunn o realizasse, talvez o produto final fosse diferente, mas não é o caso.
Poderá interessar aos fãs de violência e gore gratuitos e excessivos, mas mesmo assim, não me parece suficientemente chocante para isso.

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