Crítica – A Múmia (2017)

Título Original
The Mummy

Género
Aventura

Realizador
Alex Kurtzman

Argumentistas
David Koepp, Christopher McQuarrie e Dylan Kussman

Elenco
Tom Cruise, Russell Crowe, Annabelle Wallis, Sofia Boutella e Jake Johnson


Uma princesa egipcia é retirada da sua cripta e prisão pós-morte, trazendo com ela um mal que cresceu ao longo dos milénios, e terrores que irão ultrapassar a compreensão humana.


Em 2010 estreou The Wolfman, realizado por Joe Johnston e protagonizado por Benicio Del Toro, Anthony Hopkins e Emily Blunt.
O filme não foi bem recebido pela crítica e pelos fãs e não houve sequela.

Em 2014 estreou Dracula Untold, realizado por Gary Shore e protagonizado por Luke Evans, Dominic Cooper e Charles Dance.
Este era o filme que iria lançar o universo de monstros da Universal, mas também não teve a recepção que o estúdio esperava.

E agora, em 2017, estreia The Mummy, o filme que, uma vez mais, vai lançar o universo de monstros da Universal, intitulado Dark Universe.
Voltaram a reunir um elenco de renome e, confiantes no seu sucesso, já anunciaram quais os próximos filmes e o seu elenco principal, com nomes como Johnny Depp e Javier Bardem.

Será que a terceira é realmente de vez para este universo de monstros?

Não.

São vários os motivos que transformam The Mummy num filme extremamente desapontante, aborrecido e confuso, mas podemos remeter a sua génese para apenas um grande problema: o argumento.

A história do filme foi desenvolvida por Jon Spaihts, Alex Kurtzman e Jenny Lumet; por sua vez, o argumento foi escrito por David Koepp, Christopher McQuarrie e Dylan Kussman.
Ou seja, de certa forma, tivemos 6 pessoas diferentes a trabalhar no enredo do filme e consequente desenvolvimento, e isso nunca dá certo.

É perfeitamente notório ao longo de todo o filme, a presença das mentes e personalidades completamente diferentes que desenvolveram a história.
The Mummy quer ser acção e aventura, comédia e terror sem nunca se dar ao trabalho de pensar se essa mudança constante de tom é fluida e benéfica para o filme. E não, não é.
O resultado é que a comédia nunca tem piada, o horror nunca tem o efeito pretendido por estar rodeado por tanto “humor” e a própria acção parece vazia e sem significado porque a história do filme e as suas personagens andam igualmente perdidas.

The Mummy cometeu o erro nº1 de todos os filmes que querem lançar um universo: focou-se demasiado no futuro.

Este é um filme que se preocupa mais em estabelecer o universo e o que vai vir depois, do que em certificar-se que está a entreter a audiência que o está a ver neste momento.
A história, se é que lhe podemos chamar assim, nunca vai a lado nenhum. Tudo o que este filme tem é uma premissa que é repetida vezes e vezes sem conta, mas nunca tem nenhum desenvolvimento real ou credível.

A Princesa Ahmanet (Sofia Boutella) faz um acordo negro com Set, o deus da morte, mas antes de poder matar o seu amante com um punhal especial, e libertar todo o seu poder, foi capturada e aprisionada.
Passados mais de mil anos, Nick (Tom Cruise) retira o seu sarcófago da prisão em que se encontrava, e aos olhos de Ahmanet é ele agora o seu amante, o seu escolhido e assim sendo, é ele quem terá de ser sacrificado.

Esta é a história do filme, e tudo o que temos pelo meio, desde Dr. Jekyll (Russell Crowe) e a sua organização secreta até ao final absolutamente previsível e ridículo, é apenas pistas para o que vai vir depois. Ignorando o facto de que ao criarem aqui um filme tão fraco e desapontante, o interesse para este universo é pouco ou nenhum.

Outro grande defeito é o seu diálogo extremamente expositivo e aborrecido.
Há personagens que só existem para contar pontos cruciais do filme, ou para se certificarem que a audiência não se perde no meio desta história confusa e sem nexo.
Quando chegamos aos 30 minutos de filme já tivemos a história da princesa contada de duas ou três maneiras diferentes, e há duas grandes cenas de narração no filme, uma no início e outra no fim, que são decisões criativas extremamente questionáveis.

A acção não é má, e há alguns momentos bem divertidos e interessantes, o problema é que estão rodeados por personagens vazias e uma história que não vai a lado nenhum.

Tom Cruise esforça-se para vender todas as suas cenas, seja a recorrer ao seu carisma ou à sua grande capacidade física para as cenas de acção, mas nem ele consegue elevar este material tão fraco.
A sua personagem, tal como todas as outras, não tem desenvolvimento nem conteúdo.

Aliás, há muito tempo que não via um filme tão mau na forma como trata as suas personagens e os seus actores.
Enquanto fã destes actores, magoou-se um pouco ver o que foi aqui feito a Jake Johnson e Courtney B. Vance. Não vou aprofundar porque não quero entrar em spoilers, mas é vergonhoso a irrelevância que as suas personagens têm.
Quanto a Annabelle só vou dizer que ao fim de ver Wonder Woman e a forma como eleva a mulher, ver aqui uma personagem feminina que existe apenas para ser a donzela em perigo que tem de ser salva, é demasiado triste.

Veredicto Final
3/10

The Mummy não é, de todo, o começo que eu desejava para este universo.

Um filme sem qualquer tipo de argumento ou desenvolvimento, que se preocupa apenas em antecipar o que está para vir em vez de criar interesse para o que está a ser visto neste momento.

As personagens são vazias e não há química entre ninguém.

Tom Cruise, e até mesmo Russell Crowe, esforçam-se para vender o filme, mas é algo que está fora das suas mãos.

 

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3 opiniões sobre “Crítica – A Múmia (2017)

  1. Eu não sabia que havia toda uma saga de filmes de monstros. Uma pena que você não tenha sucesso esperando. Na Múmia, a única coisa que gostei foi a participação da Sofía Boutellla. O papel que ela vai desempenhar em Fahrenheit 451 será um das suas melhores atuações. Não há dúvida de que muitas pessoas se lembrarão dela como uma das sofia boutella filmes. Adoro porque sua atuação não é forçada em absoluto. Cada um dos projetos desta atriz supera a minha expectativa. Não duvidei desde que vi o trailer em que seria um excelente filme. Eu sem dúvida verei novamente.

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