Prison Break – 1ª Temporada (2005)

Título Original
Prison Break

Género
Crime

Criador
Paul Scheuring

Elenco
Dominic Purcell, Wentworth Miller, Amaury Nolasco, Robert Knepper e Sarah Wayne Callies


Devido a uma conspiração política, um homem inocente é condenado à morte.
A sua única esperança de sobreviver é o seu irmão, que cria um plano e é preso apenas para poderem escapar da prisão juntos.


Ao fim de ver Prison Break: Resurrection, e de ter ficado desapontado com essa sequela ao final da série em 2009, decidi rever a primeira temporada de Prison Break.

A minha opinião mantém-se, é sem dúvida uma das melhores temporadas que a televisão moderna tem para oferecer, e mereceu toda a aclamação da altura, apesar de ter apanhado agora algumas falhas que na primeira vez me passaram um pouco ao lado.

Irei então agora oferecer ao leitor uma dose de nostalgia enquanto recapitularei aquilo onde esta primeira temporada sucedeu, e falhou.

A série, na sua grande generalidade, é um sucesso.
E a sua genialidade começa logo pela premissa, que até à altura era algo que nunca tinha sido devidamente explorado no pequeno ecrã.

Já tínhamos tido séries de grande qualidade a fornecer uma imagem real, dura e crua do que é a vida de um presidiário, Oz é a primeira a vir à mente, e possivelmente o melhor exemplo.
Contudo, Prison Break é diferente, porque apesar de não recuar perante a violência e os horrores que uma prisão pode oferecer, como ser esfaqueado ou violado, o seu grande objectivo e foco é o plano que Michael (Wentworth Miller) tem para fugir de lá.

E é aqui o primeiro momento onde a série poderia falhar.
Para a série ter o sucesso que teve, houve algo absolutamente imprescindível, e isso foi convencer o espectador que Michael tinha realmente de ser preso, que esta era realmente a única oportunidade de salvar o seu irmão Lincoln (Dominic Purcell).
A série tinha de nos apresentar as personagens e o enredo de forma a que ficássemos automaticamente a torcer pelos irmãos, e a compreender o sacrifico e a lógica daquilo que eles estavam a planear.

E relacionado com o sucesso dessa premissa, temos o elenco.
O casting desta série é absolutamente fenomenal, e apesar de me virem à mente alguns actores que poderiam ter feito um trabalho interessante numa ou outra personagem, eu não alterava ninguém.

Wentworth e Dominic partilham uma química extremamente forte e convincente, o que dá um poder imenso a todos os momentos mais emocionais e dramáticos em que a série nos convence de que Lincoln poderá realmente ser executado e que alguns deles pode perder o outro.

Em relação ao elenco secundário, todos entregam prestações de qualidade, com destaque óbvio para Robert Knepper.
Knepper interpreta aqui uma personagem extremamente complicada e difícil. É alguém cujo primeiro instinto é odiar e temer, contudo, a forma como ele o interpreta, a subtiliza com que entrega o drama em alguns momentos mais difíceis e tocantes e a forma como consegue consecutivamente sobreviver, não só nesta temporada mas ao longo de toda a série, tornou-o rapidamente numa das personagens preferidas da audiência.
Alguém que odiamos, mas que ao mesmo tempo não queremos que desapareça.

Paul Scheuring  criou aqui uma série de elevada qualidade, e acima de tudo, inteligente.
A narrativa, apesar de deslizar num momento ou outro, mantém quase sempre os pés assentes na terra e tenta ser inteligente e credível na forma como lida com todos os problemas e percalços que surgem no caminho das personagens, e são imensos.
E a ideia de Michael recorrer às tatuagens como mapa e bloco de notas para se recordar do plano, é realmente original e diferente, e feito de uma forma bela e natural.

Em termos de caracterização e atenção ao detalhe, toda a equipa técnica teve uma dedicação notória e louvável. Não é só o ambiente em que eles se inserem, mas as próprias roupas, maquilhagem (com destaque para a tatuagem de Michael) e cenário. Todos esses elementos foram desenvolvidos com grande pormenor e qualidade, alimentando a intensidade das cenas que se vão desenrolando ao longo da temporada, e também do resto da série.

Há no entanto algumas falhas que podiam ser evitadas, umas por culpa do criador e argumentistas, outras possivelmente por culpa da FOX.

Uma das falhas maiores, e aquele que na minha opinião prejudica e torna a temporada em algo previsível e repetitivo é o facto de ela ter 22 episódios, quando 10-13 seria um número muito mais adequado.
Com 22 o ciclo torna-se algo previsível: eles conseguem algo e estão a suceder – acontece um imprevisto – parece que tudo fica perdido – eles conseguem ultrapassar e parece que vão suceder…
Chega a uma altura em que toda a tensão das cenas, começa a desaparecer, devido a este ciclo em fim que é criado em todos os episódios.
Paul tinha planeado apenas 13, e a Fox insistiu para 22 quando viu o sucesso que a série se tinha tornado, e isso prejudicou a história, porque nota-se perfeitamente que a dada altura o nível de invenção e de fantasia começa a aumentar um pouco de proporções.

O outro grande aspecto que podia ser controlado e melhorado é a tensão que Paul tenta dar constantemente em todos os instantes.
A vida de um homem está em risco, e ele e o seu irmão estão a tentar escapar de uma prisão de alta segurança com outros criminosos extremamente perigosos, a tensão já está lá, o público já está nervoso e com antecipação com o que vai acontecer.
Mas ainda assim, os argumentistas e o criador insistem em forçar os momentos, isso é algo notório não só na música, mas nos constantes olhares nervosos e silêncios constrangedores que se prolongam de forma a deixar o público com ansiedade e curioso, o problema é que muitos deles não resultam.

Há vários momentos que não têm tensão, que são tão previsíveis que já sabemos onde eles vão dar, e se fossem tratados dessa forma e com essa naturalidade, tornava-se tudo muito mais fluido e tranquilo, em vez de tentar inventar drama que não existe, pelo menos não naquele momento.

Por fim, o outro grande defeito, e aqui já não é necessariamente aplicado a esta temporada, mas à série como um todo, foi que os envolvidos quiseram transformar isto em algo maior do que era suposto.
Uma conspiração que começou com a condenação à morte de um homem inocente, vai tomar proporções épicas, e Michael, um engenheiro inteligente que planeia uma fuga de uma prisão que estuda ao longo de vários meses porque tinha acessos às suas plantas, torna-se um autêntico génio capaz de escapar de tudo e qualquer lado, por mais impossível que possa parecer.

Uma série que começou com uma premissa inteligente e credível foi crescendo e aumentando, transformando-se com o tempo em algo completamente diferente.
É quase possível comparar Prison Break à saga Velocidade Furiosa, pela forma como partem de algo tão simples para assaltos e planos cada vez mais loucos e absurdos.
O que é pena, porque como já disse, esta primeira temporada demonstra imenso potencial e qualidade.
Prison Break deveria ter tido apenas duas ou três temporadas, e claro, o desenvolvimento da história, especialmente na terceira temporada, teria que ser outro.


Veredicto Final: 8/10

A primeira temporada de Prison Break é não só a melhor de toda a série, mas uma das melhores que a televisão moderna já teve para oferecer.
Com boas prestações e personagens bem desenvolvidas e uma história simples e relativamente contida, esta primeira temporada é algo que nunca farto de me ver.
E, apesar de ter episódios a mais e alguns momentos que falham na tensão que querem ter, consegue sempre prender o meu interesse.

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