Colossal (2017)

Título Original
Colossal

Género
Comédia

Realizador
Nacho Vigalondo

Argumentista
Nacho Vigalondo

Elenco
Anne Hathaway, Jason Sudeikis, Austin Stowell, Tim Blake Nelson e Dan Stevens


Gloria (Anne Hathaway) é uma desempregada alcoólica que é forçada a deixar a casa do seu namorado (Dan Stevens) em Nova Iorque quando este fica farto do seu estilo de vida destrutivo.
Ao fim de regressar à sua terra natal, chega a notícia de que uma criatura gigante anda a destruir Seoul, e ela vai a pouco e pouco aperceber-se de que este fenómeno está relacionado com ela.


Colossal foi um daqueles filmes que me passou por baixo do radar até o seu primeiro trailer ser lançado online.
E ao ver este primeiro trailer, sem saber nada da história e sobre o elenco, tive uma surpresa muito positiva. Pareceu-me ser um filme cómico e com uma premissa extremamente diferente e original, algo que é raro hoje em dia, e um pouco arriscado.

Infelizmente, este é um daqueles casos em que o trailer ilude em relação ao filme que vamos ver.
E apesar das críticas extremamente positivas que o filme recebeu, eu não estou necessariamente dentro desse grupo.

Não é um filme horrível, e irei tentar ser o mais justo possível, mas é um filme que nunca sabe bem o género que quer ser, ou até mesmo o rumo que quer dar à sua narrativa, já que passa por tantos cruzamentos até chegar ao seu destino final.

Gloria (Anne Hathaway) é uma desempregada alcoólica que é forçada a deixar a casa do seu namorado Tim (Dan Stevens) em Nova Iorque quando este fica farto do seu estilo de vida destrutivo.
Sem mais nenhum local para onde poder ir, ela decide regressar à sua terra natal, para uma casa que os seus pais têm vazia.
Aí vai reunir-se com o seu amigo de infância Oscar (Jason Sudeikis) e os amigos dele, Joel (Austin Stowell) e Garth (Tim Blake Nelson).
É nessa altura que um monstro gigante surge em Seoul, Coreia do Sul, destruindo prédios e causando feridos e até mesmo mortos. A grande revelação (e não é spoiler porque aparece no trailer), é que Gloria vai a pouco e pouco perceber que aquele monstro faz tudo o que ela faz, é ela que o controla, e sem saber, é ela que anda a causar toda aquela destruição.

Como disse, é uma premissa original e diferente, e o trailer parecia prometer algo realmente cómico, especialmente com este elenco. Mas infelizmente, isso nunca é o caso.
O filme é muito mais negro e intenso do que eu esperava, e apesar de realmente ter um ou outro momento cómico, são muito pouco e nunca proporcionam gargalhadas, apenas o ocasional sorriso.

A única forma que eu consegui encontrar para defender este filme – e não sei se a minha interpretação estará correcta ou não, mas é o que e penso – é que ele deve ser interpretado como uma metáfora.
E neste caso, o monstro e a destruição que ele causa, são apenas uma metáfora para o alcoolismo, tema muito forte neste filme. Toda a destruição que este seu vício causa na vida dela e na dos que a rodeiam, é representada metaforicamente por este monstro que destrói tudo o que há à sua volta, mesmo que seja sem intenção.

A partir  do momento em que interpreto o filme dessa forma, consigo encontrar grande valor naquilo que o realizador/argumentista Nacho consegue aqui construir. É deveras inteligente.
O problema é que o desenvolvimento dado a esta metáfora, e a tudo aquilo que ela representa, nunca é feito com a mesma inteligência ou profundidade.

A dada altura o argumento tenta justificar o porquê disto estar a acontecer, com um trauma do passado, e é algo tão absurdo que acaba por deixar mais perguntas que respostas. E não há nada de mal quando algo não é bem explicado, muitos filmes não o fazem, mas nesse caso valia mais nem tentar, e pedir ao público para aceitar algo é mais fácil do que pedir para ignorar as perguntas que se levantam com uma explicação preguiçosa e mal fundamentada.

E essas falhas de desenvolvimento são também bem notórias nas personagens.
Gloria e Oscar são as personagens principais e onde o filme nasce e morre, já que todas as outras não têm qualquer desenvolvimento e de certa forma, a sua presença é completamente insignificante para tudo o que acontece.

Mas apesar de Gloria estar bem desenvolvida e ter um crescimento e amadurecimento psicológico bem trabalhado ao longo do filme, a personagem de Oscar dá uma volta completa de 180º a meio do filme. É uma transformação tão grande e tão repentina, que eu pensei que tinha perdido alguma parte do filme. E essa ausência de explicação incomoda o espectador até ao fim, porque nunca conseguimos realmente acreditar e compreender aquilo que ele faz e diz, sentimos-nos apenas incomodados e confusos.

As prestações de Hathaway e Sudeikis são muito boas, boas demais até.
Sudeikis tem aqui uma das suas melhores prestações talvez de sempre, e é uma pena que o tenha feito num filme que revela ser tão desapontante e frustrante.

É um filme aborrecido e confuso que não irá, de todo, agradar a todos.
E até a mim, que tento compreender e defender aquilo que acho ser o seu objectivo, foi algo que me aborreceu, especialmente para o final.

O final é suposto ser o clímax do filme, e Nacho tenta rapidamente passar de uma comédia negra/drama, para um filme de acção e ficção científica, mas isso não o salva nem torna mais interessante ou divertido, torna-o apenas mais vazio de significado e relevância.

E apesar do final parecer ter alguma promessa mensagem moral de crescimento e mudança, a expressão final que a personagem de Gloria faz parece querer apontar exactamente para o contrário, o que torna todo o filme ainda mais questionável e desnecessário…


Veredicto Final: 4/10

O trailer ilude, e se pensam que vão ver uma comédia divertida e original, pessoalmente não acho que vos irá agradecer.
É um filme que parece ter uma mensagem, mas sacrifica essa mensagem em troca de acção e ficção científica no final, o que torna tudo o que apresentou antes em algo ainda mais irrelevante e sem significado.
Hathaway e Sudeikis oferecem prestações de qualidade, mas encontram-se num argumento mal desenvolvido e muito confuso em relação ao tipo de filme que quer criar.

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