Free Fire (2017)

Título Original
Free Fire

Género
Crime

Realizador
Ben Wheatley

Argumentistas
Amy Jump e Ben Wheatley

Elenco
Sam Riley, Sharlto Copley, Brie Larson, Cillian Murphy e Armie Hammer


Localizado em Boston em 1978, um encontro num armazém abandonado entre dois gangues transforma-se num confronto e tiroteio em que todos lutam para sobreviver.


Desde a primeira vez que vi este trailer, que fiquei apaixonado pelo material e ansioso para poder ver e desfrutar daquilo que o filme parecia querer oferecer.

Existem muitos elementos que me chamaram a atenção de imediato: elenco, produtor (Scorcese) e o estúdio (A24).
Mas acima de tudo, aquilo que me cativou foi a história ser contida a um só espaço.
Acho sempre fascinante quando um realizador e argumentista consegue prender o elenco a uma única localização e ainda assim entregar um filme divertido, interessante e de qualidade.

E, apesar de não ser exactamente como eu esperava que fosse, Ben Wheatley desenvolveu aqui um filme extremamente divertido e cativante, que nunca se torna aborrecido ou lento.

Free Fire pode muito bem ser o Reservoir Dogs desta nova geração.
São muito diferentes na sua essência, mas a forma como ambos conseguem reduzir-se a uma única localização, ter um diálogo carismático e interessante, com personagens igualmente duras e cómicas e violência excessiva, são aspectos inegavelmente comuns entre o filme de Tarantino e Wheatley.

Este último é um realizador com talento, que já deu provas disso várias vezes.
Mais recentemente com High Rise, um filme de que não gostei muito, mas no qual consegui reconhecer o talento do realizador na forma desenfreada e caótica com que filmou as cenas à medida que a violência ia escalando dentro do edifício.

Curiosamente, esse seu projecto anterior também tinha as personagens presas a uma única localização.
A diferença é que aqui, por causa do espaço ser mais pequeno, o argumento consegue ser mais concentrado, mais focado, e o desenvolvimento das personagens, das suas relações e dos próprios acontecimentos, são mais realistas, mais credíveis, e fornecem uma grande dose de entretenimento.

Infelizmente, apesar dos elogios que teci a Wheatley nos parágrafos anteriores, este filme para mim falha maioritariamente na sua realização.
Foram vários os momentos durante o filme em que questionei as escolhas do realizador e o porquê de ele estar a filmar a acção e as personagens de uma maneira tão salteada e aparentemente perdida.

Até que compreendi, Wheatley estava a tentar imitar Guy Ritchie, e isso foi um erro.
Nem se trata aqui de um ter mais talento que o outro, mas apenas pelo facto de que a forma como Guy Ritchie filma a sua acção é muito única e particular, e quem o tenta imitar falha sempre, porque não consegue ter a visão e a perspectiva que Ritchie tem.
Da mesma forma que se o diálogo aqui tentasse imitar Reservoir Dogs, também iria falhar porque Wheatley e Jump não têm a linguagem e expressionismo de Tarantino.

Ele já revelou os seus traços de realizador nos seus projectos anteriores, e aqui devia ter voltado a fazê-lo.
Se assim fosse, o filme poderia ter ficado muito melhor, em vez de ser tão confuso. São vários os momentos em que a câmara parece não saber bem o que filmar e para onde ir de seguida, fazendo com que o filme falhe em fornecer à sua audiência uma ideia clara do espaço e a localização que as personagens ocupam nele.

O argumento também tem algumas incoerências, há coisas que acontecem apenas para dar mais alguma tensão ao filme, mas que em termos lógico são um pouco questionáveis. Mas de uma forma geral é um aspecto positivo, nunca ficando aborrecido, mesmo quando a acção abranda um pouco.

O elenco por sua vez, é delicioso, e são os actores que realmente transportam este filme para um patamar superior.
A forma como eles entregam cada uma das suas falas, é tão natural, tão cómica e tão divertida, que em tão pouco tempo, ficamos a gostar das personagens, mesmo que todas elas continuem a ser um mistério.

Este nunca seria o tipo de filme em que as personagens fossem ser desenvolvidas e que ficássemos a conhecer claramente todas as suas motivações e ambições, e assim sendo, havia muito pouco tempo antes do tiroteio começar para a audiência gostar delas e se interessar pelo que iria acontecer de seguida.
Ao contratar actores tão talentosos e carismáticos como Cillian Murphy, Armie Hammer e Sharlto Copley, isso ficou mais que garantido.

E aqui tenho de destacar Copley, que fornece não só as melhores falas e reacções como também os melhores momentos de ecrã, com a sua personagem tão estranha e extrovertida.


Veredicto Final: 7/10

Free Fire é um filme muito cativante e divertido, especialmente pelo seu diálogo e elenco talentoso.
Infelizmente muito disto é um pouco prejudicado pela realização de Wheatley, que na tentativa de criar algo diferente daquilo que lhe é habitual, cria uma cópia muito pouco capaz daquilo que podemos encontrar num filme de Guy Ritchie.
Mas, no final de tudo, Free Fire continua a oferecer os seus momentos de humor e violência excessiva, que curiosamente, combinam aqui muito bem.

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