Castlevania – 1ª Temporada (2017)

Título Original
Castlevania

Género
Animação

Criador
Warren Ellis

Vozes
Richard Armitage, James Callis, Graham McTavish, Tony Amendola e Matt Frewler


Um caçador de vampiros luta para salvar uma cidade, e eventualmente o mundo, de um exército de criaturas infernais controlado pelo Dracula.


Enquanto as adaptações cinematográficas de videojogos continuam a desapontar constantemente, no mundo das séries as coisas parecem estar a tomar um rumo diferente.

Castlevania é a nova série de animação da Netflix que estreou há alguns dias atrás, e que no mesmo dia em que estreou foi automaticamente renovada para uma segunda temporada de oito episódios.
Baseada no jogo da Konami com o mesmo nome, é uma série que se vai inspirar maioritariamente no terceiro título da saga, Castlevania III: Dracula’s Curse, apesar de tomar algumas liberdades criativas.

Esta era uma adaptação no mínimo questionável!

O material original, apesar de tentar ter uma certa história, pertenceu a uma altura em que isso não era prioridade, e o diálogo e argumento narrativo era praticamente inexistente, apesar de ter havido uma tentativa de reboot com uma trilogia para as consolas da nova geração há cerca de três anos atrás.

Mas acima de tudo, esta não era uma série que o público estivesse a pedir ou desejoso de ver, o que possivelmente justifica o facto de a primeira temporada ter apenas 4 episódios de cerca de 25 minutos, ou seja, um filme dividido em quatro partes.

No entanto, com a marca da Netflix por trás, a qualidade acaba sempre por levar um boost tremendo e aqui não foi excepção.

O argumento que Ellis criou para esta primeira temporada consegue respeitar o material original e os seus fãs, bem como apresentar este universo e as suas personagens a toda uma nova audiência.

O único defeito em termos de narrativa é sem dúvida alguma o número extremamente limitado de episódios.
Eu compreendo que houvesse algum receio em fazer uma temporada mais longa sem saberem como seria a adesão, mas com apenas mais dois episódios seria possível terem desenvolvido melhor não só a personagem de Dracula, mas também a relação com a sua esposa, e criando assim uma maior ligação emocional entre as personagens e a audiência.

Quando a sua mulher é queimada pela igreja por acusações falsas de que é uma bruxa, o vampiro Conde Vlad Dracula Tepes declara guerra contra a humanidade, em particular com o povo de Wallachia, que terá de pagar com as suas vidas aquilo que fizeram.
O seu exército de monstros e demónios rapidamente espalha o caos e o horror pelo país, fazendo que as pessoas vivam em constante medo, desconfiança e desespero.
Será Trevor Belmont o grande herói que irá tentar parar Dracula, aliando as suas forças a uma mágica chamada Sypha Belnades e a um homem misterioso que aparecerá no final da temporada e que eu prefiro não revelar quem é.

E como disse antes, a narrativa que Ellis cria aqui é sem dúvida cativante e divertida, mas com mais uns episódios, poderiam ter desenvolvido melhor a personagem de Dracula e a relação com a sua esposa, em vez de vermos apenas eles a conhecerem-se e de seguida já ela estar a ser queimada.
Conseguimos compreender a raiva e a dor de Dracula, sim, mas teria um impacto maior se tivéssemos conhecido a sua relação e essa mulher tão boa que conseguiu tocar o coração de alguém tão demoníaco.

A forma como a temporada acaba é também algo um pouco estranho.
Não é que seja necessariamente um defeito, porque compreendo a sua justificação, mas o final do último episódio parece apenas o final do que se iria esperar para o primeiro.
No fundo, esta é uma temporada que vem apenas preparar a segunda, é apenas uma espécie de Prólogo para a narrativa principal, o que como disse antes, não é necessariamente um defeito, mas com a segunda temporada a estrear possivelmente apenas no ano que vem, é uma decisão criativa no mínimo questionável.

A nível de realização Sam Deats também faz um bom trabalho, conseguindo sempre filmar a acção e até mesmo os momentos mais dramáticos de forma a fornecer o maior impacto possível.

E para uma série com uma história tão negra é surpreendente o quão rica é a sua palete de cores. Seria expectável que se focassem mais em cores negras e apenas no vermelho vivo do sangue, mas não, são várias as cenas em que temos uma variedade enorme de cores, com todas elas a fornecerem o seu contributo para enriquecer não só a cena em si mas o próprio tom que ela tenta transmitir.

A animação é extremamente bem feita, não só no desenho e caracterização das personagens em si, mas de toda a localização geográfica em que se localiza e até mesmo nos próprios monstros e momentos mais carregados de gore.
Não é fácil colocar tanta cor numa história com este nível de violência sem criar alguma espécie de desequilíbrio, mas os estúdios Powerhouse Animation e Shankar Animation conseguiram sem dúvida criar aqui um contraste visual extremamente delicioso e cativante.

A nível de talento de vozes, Richard Armitage é o único que me criou algum desconforto.
Não é que não goste da voz dele, mas nunca me pareceu a apropriada para a personagem de Belmont, senti sempre que ele precisava de algo mais grave. E a voz de Armitage é extremamente poderosa, mas aqui ele tenta fazer algo diferente, apesar de eu não perceber bem essa decisão criativa.

Por sua vez, Graham McTavish fornece todo o poder que esperávamos da voz de Dracula, poderosa e ameaçadora.


Veredicto Final: 8/10

Esta primeira temporada faz um bom trabalho em apresentar as personagens e criar uma espécie de introdução para a narrativa principal, apesar de ser muito mais curta do que seria adequado.
Mas com uma realização segura e um departamento de animação fenomenal, o resultado final de Castlevania consegue ser extremamente rico e cativante, justificando perfeitamente a sua segunda temporada e todo o sucesso crítico e comercial que recebeu desde a sua estreia. 

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