Crítica – Tour De Pharmacy (2017)

Título Original
Tour De Pharmacy

Género
Comédia

Realizador
Jake Szymanski

Argumentista
Murray Miller

Elenco
Andy Samberg, Orlando Bloom, John Cena, Mike Tyson e Lance Armstrong


Um documentário cómico e fictício sobre o uso e abuso de dopping no desporto do ciclismo profissional.


Já que a prova a França de 2017 terminou “recentemente”, 23 de Julho deste ano, nada melhor do que criticar o também recentemente lançado documentário sobre o dopping no desporto do ciclismo.

E, apesar de isto ser obviamente um documentário fictício e cómico, que exagera e hiperboliza não só as drogas, mas os próprios atletas e regras do desporto, a verdade é que toca num ponto ainda muito sensível e certamente tabu: a quantidade absurda de dopping que existe no mundo do ciclismo.

Quando pensamos em esteróides, regra geral associamos isso ao mundo do culturismo e dos praticantes de musculação, porque pensamos em músculos grandes e definidos.
Mas na realidade, grande parte do dopping é utilizado apenas como melhoria de performance e endurance, e tudo o resto, seja definição ou músculo acabará por vir como acréscimo, dependendo do exercício praticado e da alimentação que é seguida.
E assim sendo, a forma directa, exagerada e desenvergonhada com que esse tema é aqui abordado e ridicularizado, é ao mesmo tempo muito apropriado, especialmente com a polémica de Armstrong ainda tão fresca na mente de todos.

Tal como já tinham feito previamente com ” 7 Days In Hell”, Szymanski, Miller e Samberg voltam aqui a reunir-se e a criar um novo documentário fictício, desta vez focado no mundo do ciclismo, nomeadamente o abuso de dopping que existe no desporto.

E apesar de podermos achar que não haveria aqui grande potencial cómico, esta equipa rapidamente prova o contrário. Grande parte do seu humor vem do exagero e da hiperbolização de tudo o que envolve o ciclismo, desde os seus atletas e comentadores, até às roupas, empresários, drogas e os próprios fãs.
Contudo, fá-lo sem necessariamente faltar ao respeito ao desporto e a esses mesmos fãs, até porque grande parte dos actores envolvidos são fãs do desporto, e o próprio Lance Armstrong participa neste documentário, algo que recebeu algumas críticas negativas injustamente, já que demonstra uma grande aceitação pessoal e contribui para bons momentos cómicos.

A história tem lugar em 1982 na volta a França desse ano.

A meio da volta o ciclista italiano Juju Peppi (Orlando Bloom) causa acidentalmente um acidente com todos os ciclistas quando tenta apalpar uma espectadora, isto causa uma luta enorme entre todos os ciclistas, o que faz com que a corrida tenha de ser adiada.

Ao limpar a cena do “crime”, a polícia encontra provas de que existem ciclistas a utilizar narcóticos, e é revelado que o presidente da UCI Ditmer Klerken (Kevin Bacon) aceitou subornos no valor de 50 mil dólares da maioria dos atletas, como garantia de que estes não teriam de ser submetidos a testes de drogas.
Apesar de desconfiarem de todos os atletas, é permitido que a corrida continue com os cinco que se recusaram a fazer esse pagamento: Peppi; o americano que nasceu na Nigéria, Marty Hass (Andy Samberg), que é odiado pelo povo da Nigéria por ser ele quem os representa; o ciclista francês, Adrian Baton (Freddie Highmore), que é secretamente uma mulher chamada Adrianna Baton que está disfarçada como um homem para poder competir; o ciclista afro-americano, Slim Robinsons (Daveed Diggs), sobrinho de Jackie Robinson; e o australiano Gustav Ditters (John Cena), que ganhou um peso enorme em músculos devido ao abuso de esteróides no ano anterior.

É nestes cinco atletas, e na sua disputa pelo título de campeão, que este documentário se irá focar.

É um filme bem realizado e que consegue manter um bom passo cómico com o seu argumento simples e directo.

Grande parte da comédia surge com os próprios actores, é enorme o leque de nomes conhecidos que aparece neste filme, e quem eles interpretam e a forma como interpretam torna tudo muito mais cómico, mesmo quando o argumento não o consegue ser por si só. E nunca deixa de me surpreender a boa vontade que existe em grande parte destes grandes nomes de Hollywood, que estão sempre dispostos a brincar com eles próprios, ou a interpretar personagens que muitos outros poderiam achar menores.

Se tiver de apontar falhas a este filme, para além de que não é uma comédia que irá agradar às massas, pela forma exagerada como trata o seu tema, é que muitas das suas piadas se tornam repetitivas.
Temos Armstrong constantemente a preocupar-se se é reconhecido, temos o tema das drogas e o seu usos a ser constantemente exagerado, e muitos outros momentos se tornam repetitivos, e apesar de alguns deles continuarem a ter piada à medida que vão aparecendo, a verdade é que perde o grande factor surpresa e se torna um pouco previsível e cíclico.


Veredicto Final: 7/10

Um documentário fictício extremamente cómico, que consegue funcionar como uma sátira perfeita para aquela que continua a ser a parte mais polémica do ciclismo.
Com a participação de Armstrong e muitos actores de renome, Tour De Pharmacy, apesar de algumas piadas repetidas, consegue manter um passo divertido até um final relativamente inesperado e naturalmente cómico.
Não irá agradar a todos, mas para aqueles que abracem este tipo de humor é uma forte adesão ao leque a que pertence.

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