Crítica – It (2017)

Título Original
It

Género
Terror

Realizador
Andy Muschietti

Argumentistas
Gary Dauberman, Chase Palmer e Cary Fukunaga

Elenco
Jaeden Lieberher, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Jack Dylan Grazer e Bill Skarsgård


Um grupo de crianças une-se para derrotar Pennywise, uma entidade misteriosa que se alimenta com crianças e que assume a forma dos seus maiores medos.


It é um filme de terror, realizado por Andy Muschietti e com argumento escrito por Gary Dauberman, Chase Palmer e Cary Fukunaga, este último a ser inicialmente o realizador antes de sair por divergências criativas.

É a segunda adaptação da obra de Stephen King, já que em 1991 a história tinha sido adaptada para a TV com Tim Curry no papel principal.
Contudo, ao contrário da versão dos anos 90 que conta os dois confrontos que existem, na fase de crianças e na fase adulta, este filme irá apenas focar as crianças, deixando esse segundo confronto para a sequela.

Em It, Pennywise é uma entidade misteriosa que aparece na localidade de Derry de 27 em 27 anos, alimentando-se de crianças durante cerca de 12-16 meses antes de desaparecer novamente.
Há muita informação do livro que não foi transposta para o ecrã, como o macrouniverso ao qual Pennywise pertence, o facto de ser uma entidade com milhões de anos e de o seu inimigo ser uma tartaruga, responsável pela criação de todo o universo.

O Pennywise do filme mantém-se misterioso e nunca é dada nenhuma explicação clara em relação ao que ele é ou como surgiu.
Tudo o que sabemos é que já assombra aquela localidade há centenas de anos e que se transforma nas criaturas que representam o maior medo das crianças.

Este é apenas uma das muitas diferenças que podemos encontrar entre o livro e o filme, e todas elas, de um ponto de vista lógico e criativo acabam por ser as mais correctas.
Se bem que na sequela será inevitável uma exploração mais profunda da origem mística de Pennywise, já que está directamente relacionada com a forma como ele é finalmente derrotado, mas isso é algo que falaremos noutra altura.

Muschietti realizou aqui não só um dos melhores filmes de terror dos últimos anos e uma das melhores adaptações de King, mas acima de tudo, realizou um dos melhores filmes de crianças que eu alguma vez vi.
Não nego o poder de Goonies e todos esses filmes clássicos e épicos de elencos jovens, mas It tem aqui uns actores absolutamente talentosos a interpretarem personagens carismáticas, cómicas, divertidas, interessantes, frágeis e corajosas em igual medida.

A série Stranger Things foi buscar inspiração ao filme It de 1990 e só parece apropriado que este filme vá buscar inspiração a Stranger Things, não só ao ter um dos actores da série no seu elenco, mas também no argumento, no diálogo e na atenção e importância que são dadas a estes heróis.

It foca exclusivamente as crianças durante toda a sua duração, os adultos são praticamente inexistentes, a sua presença só está lá quando a história das crianças o pede ou exige. E isto é genial, torna a história mais concisa e focada, mas acima de tudo, desenvolve os protagonistas, aprofunda-os e dá-lhes características suficientes para se distinguirem entre si e criar uma forte empatia com o público, cada um com a sua maneira particular e especial.

Contudo, para o filme resultar era necessário um vilão à altura, um Pennywise digno de nota.
Apesar das crianças continuarem a ser o melhor que este filme tem isso não é dito em desmérito de Bill Skarsgård, que entrega aqui um trabalho absolutamente aterrador e hipnotizante.

Da mesma forma que Heath Ledger transformou Joker em algo seu, elevando a fasquia do que Nicholson tinha feito no passado, também aqui Skarsgård ultrapassou o trabalho de Curry.
Não quero retirar mérito nenhum nem a Nicholson nem a Curry, eram filmes e épocas diferentes, mas é inegável o nível de terror, medo e pânico que estas duas interpretações mais recentes das personagens colocaram na sua audiência.

Skarsgård criou aqui algo seu, e saber que ele vai regressar para a sequela é algo que me agrada imenso, já que me basta o desgosto de não poder ver mais destas crianças e da química incrível que desenvolveram entre si.
Este Pennywise não é apenas um psicopata, porque ele não é humano, ele é alguém que habita o mistério entre o mundo imaginário de uma criança e o horror de um adulto.
É uma forma misteriosa e aterradora que ainda assim mantém um grande sentido jovial, brincalhão e hipnotizador em tudo aquilo que diz ou faz, ou, em muitos casos, apenas com o seu olhar.

Não é um filme excessivamente assustador, apesar de ter imensos momentos memoráveis, mas é sem dúvida alguma um filme incomodativo e perturbador, com uma personagem que irá deixar a sua marca no cinema e na sua audiência.
Skarsgård é uma autêntica força da natureza.

Muschietti soube realizar aqui um filme igualmente lindo e assustador, que apesar do terror soube manter imensos momentos de leveza e alguma comédia, devido não só ao talento dos jovens actores que reuniu mas também no argumento inteligente que foi desenvolvido.
O realizador soube escolher sempre os melhores ângulos e a melhor iluminação, seja nos momentos mais assustadores ou naqueles mais emocionais e dramáticos, é uma conjugação perfeita entre luz e escuridão, efeitos especiais e efeitos práticos, maquilhagem e caracterização.


Veredicto Final: 9/10

It supera o original em todos os aspectos.
É um daqueles raros remakes que justifica a sua existência e a sua necessidade.
Muschietti reuniu aqui um elenco incrivelmente  talentoso que transformou todas estas personagens em pessoas reais com as quais nos preocupamos e que adoramos; e Skarsgård criou um vilão icónico e aterrador.
It é um filme de qualidade, que diverte, assusta e deixa o público ansioso pela sua sequela, e nesses aspectos cumpre exactamente tudo aquilo a que se propôs.

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3 opiniões sobre “Crítica – It (2017)

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