Crítica – Gerald’s Game (2017)

Título Original
Gerald’s Game

Género
Terror

Duração
103 minutos

Realizador
Mike Flanagan

Argumentista
Mike Flanagan e Jeff Howard

Elenco
Carla Gugino, Bruce Greenwood, Henry Thomas, Carel Struycken e Kate Siegel

Sinopse
Numa tentativa de reacender a paixão no seu casamento um casal decide ir passar uns dias na sua casa ao pé do lago.
Quando uma brincadeira sexual corre mal e o seu marido morre com um ataque cardíaco deixando-a algemada à cama, a esposa terá de encontrar em si toda a força necessária para sobreviver, enquanto tenta encontrar uma forma de escapar.


Nunca os fãs de Stephen King tiveram tantos motivos para celebrarem no que toca a adaptações das obras do autor.
Este ano já estreou The Dark Tower e It, e apesar do primeiro ter sido uma desilusão, o segundo tem recebido grande sucesso crítico e comercial, quebrando inúmeros recordes de bilheteira.

Pelas mãos da Netflix chega-nos agora Gerald’s Game, e antes do ano terminar iremos ainda ter adaptações de 1922 e Mr. Mercedes.

Gerald’s Game não é dos melhores trabalhos de Stephen King, contudo, Flanagan soube transformar o livro num filme surpreendentemente melhor do que aquilo que eu esperava.

O realizador e argumentista conseguiu compreender perfeitamente qual a essência da obra e a mensagem que tenta passar.
Seria muito fácil vender esta ideia a um estúdio, e ao público, como sendo apenas mais um filme de captivity, mas no seu núcleo é muito mais que isso.

É um thriller psicológico e intenso, em que uma mulher é forçada a lidar com perigos reais, como fome, sede, um cão faminto e até um assassino.
Mas, mais que isso, ela é forçada a confrontar os seus demónios interiores, é forçada a enfrentar recordações que julgava esquecidas ou trancadas num local em que nunca mais teria de lidar com elas.

Podemos até dizer que em Gerald’s Game temos uma das personagens femininas mais fortes do ano, corajosa e resistente, que enfrenta o pior do seu passado e do seu presente para se transformar em algo novo e com um futuro mais promissor. E faz isto tudo sendo apenas humana, sem ter super-poderes ou qualquer tipo de treino especial.
É uma pessoa normal como todos nós.

Do ponto de vista de cinematografia, iluminação e os ângulos escolhidos, Flanagan teve também um trabalho notável. Todos os momentos que envolveram o eclipse e o próprio Moonlight Man foram formados com grande qualidade, especialmente a palete rica que preenche as personagens e o cenário.

Mas é a edição que me cativou mais. A forma como a câmara salta entre o passado, o futuro e a própria realidade e as alucinações da personagem principal, é feito de forma extremamente natural e simples.
Muitos outros iriam sentir necessidade de colocar alguma espécie de efeito visual que deixasse mais claro o que estava a acontecer, mas devido a um argumento forte e seguro Flanagan nunca o faz, e nem precisa, porque é perfeitamente compreensível para o público tudo aquilo que estamos a ver.

E sem entrar em spoilers, aquilo que é aqui feito com o Moonlight Man (assassino que mencionei antes) é realmente coisa digna de pesadelos.

Carla Gugino and Carel Struycken in Gerald's Game (2017)

Em relação às prestações, Gugino é obviamente aquela que merece ser elogiada, já que carrega praticamente 90% do filme sozinha.
Ela entrega aquela que poderá muito bem ser a melhor prestação da sua carreira, e uma que, a haver justiça, merece realmente reconhecimento por parte da Academia e de todas as outras cerimónias.

Durante o filme a sua personagem começa a ter alucinações, e temos uma espécie de anjo e demónio a representarem os seus diferentes pontos de vista, um é o seu marido, interpretado também maravilhosamente por Bruce Greenwood, e o outro é ela própria, mas a versão mais forte, inteligente e corajosa que ela ambiciona ser.
A forma como Gugino interpreta estas duas personagens, a real e a alucinação, é tão talentosa e distinta que a dada altura dá mesmo a ideia de que temos ali duas actrizes diferentes.

Gugino percorre o espectro inteiro de emoções ao longo deste filme, desde dor, desespero e tristeza, a medo, vergonha, determinação, coragem e paixão.
É uma prestação absolutamente rica e memorável que demonstra mais do que nunca o talento que esta actriz tem dentro de si e o alcance e gravitas que consegue alcançar se lhe for dada a oportunidade certa.

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VEREDICTO FINAL
✭✭✭✭✭✭✭✭
(8/10 )

Ao fim de It, temos aqui mais uma adaptação de sucesso ao material de Stephen King.

Gerald’s Game é um thriller de terror que consegue capturar perfeitamente a essência e o núcleo do material de origem, entregando um filme assustador e perturbador, mas ao mesmo tempo emocionante e poderoso.

Gugino entrega aqui a melhor prestação da sua carreira, e Flanagan demonstra ser um realizador exímio com grande capacidade de edição e argumentista capaz de construir e adaptar uma narrativa coesiva e contida.

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2 opiniões sobre “Crítica – Gerald’s Game (2017)

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