Crítica – Justified (2010 – 2015)

Título Original
Justified

Duração
44 minutos
(por episódio)

Género
Crime

Criador
Graham Yost

Elenco
Timothy Olyphant, Nick Searcy, Joelle Carter, Jacob Pitts e Walton Goggins

Sinopse
U.S. Marshall Raylan Givens é recolocado de Miami para a terra em que cresceu, uma cidade pobre e rural no Kentucky.
Lá irá encontrar tudo aquilo que tentou deixar para trás, e muitos problemas no meio de tudo isso.


Justified, a melhor série que tu provavelmente nunca viste.

Quando penso naquilo a que dou mais valor numa série ou num filme, a primeira coisa que me vem à mente é sempre o argumento.
Adoro uma boa realização, delicio-me com a cinematografia de alguns mestres da área e respeito imenso o talento de muitos actores.
Mas, é no no argumento que começa tudo, e como tal, é a primeira coisa que me chama a atenção.

E dentro do argumento, fico completamente derretido quando o diálogo é de qualidade e me permite de imediato ficar interessado pelas personagens e pela personalidade que parecem apresentar.
Não é à toa que Aaron Sorkin e Quentin Tarantino são dois dos meus argumentistas preferidos, muito diferentes entre si na forma como estruturam o enredo e o próprio diálogo das personagens, mas uns autênticos mestres na fórmula que encontraram e aperfeiçoaram ao longo dos anos, tornando-a em algo seu e facilmente identificável.

Ao fim de ver Justified, é com enorme orgulho que memorizo o nome de Graham Yost entre aqueles que irei acompanhar com bastante atenção nos seus projectos futuros, já que desenvolveu aqui um mundo que me hipnotizou e manteve agarrado do início ao fim.

Sei perfeitamente que não é algo da sua criação, e que é baseado na obra de Fire In The Hole, escrita por Elmore Leonard. Mas não se desenvolve uma história tão curta em seis temporadas sem ter talento, criatividade e uma forma absolutamente única e interessante de ver o mundo.

Justified é principalmente uma série dramática com momentos explosivos e inesperados, carregados de sangue e violência. Mas, consegue manter sempre uma certa ligeireza no ar e na forma como aborda cada uma das suas linhas narrativas, existe sempre algum humor em tudo o que é dito e feito, e isso deve-se essencialmente às personagens e à forma como elas nunca se tentam levar demasiado a sério.

Isto é apenas outro elogio ao argumento e ao diálogo, mas também ao elenco que aqui é reunido.

Nunca, em todas as suas seis temporadas, houve um único momento em que eu achasse que alguém estava a ter uma má prestação.
Todos os actores entregaram aqui, possivelmente, o melhor trabalho da sua carreira.
Houve aqui actores que eu nunca vi em lado nenhum, e que provavelmente nunca irei voltar a ver, mas que conseguiram cativar-me de uma forma que muitos grandes nomes nunca irão conseguir.
Esta é uma série com um material tão rico e com tanta qualidade que eleva facilmente a prestação de qualquer uns dos actores que tiveram a sorte de poderem entrar neste mundo.

Todas estas personagens são extremamente bem desenvolvidas, todas elas são preenchidas por características muitos singulares e peculiares que as tornam únicas e muito especiais para a série, quer entrem durante uma temporada inteira ou apenas em dois ou três episódios.

Ainda assim, há duas prestações que têm obrigatoriamente de ser elogiadas: Timothy Olyphant como Raylan Givens e o maravilhoso Walton Goggins como Boyd Crowder.

Timothy Olyphant faz-me lembrar muito de Jon Hamm, na forma como nenhum deles viu ainda o seu grande talento a ser reconhecido por Hollywood.
É um actor extremamente talentoso em tudo o que faz, e nas séries tem vindo a provar isso desde há algum tempo.

Em Deadwood, outra série de qualidade muito ignorada, interpretou um Sheriffe e aqui interpreta um Marshall.
Há algo neste actor, o olhar, a expressão facial, que simplesmente grita: Não te metas comigo.

E essa sua qualidade é aqui levada ao extremo com Raylan Givens, que se tornou rapidamente uma das personagens mais cool e badass que alguma vez terei o prazer de ver no pequeno ecrã.
Timothy interpretou esta personagem magistralmente em todos os episódios, de início ao fim, e irei sentir uma saudade enorme desta personagem que tornava interessante até a tarefa mais mundana e aborrecida.

Walton Goggins, no entanto, é quem consegue realmente roubar esta série a todos os outros intervenientes.

É provavelmente um dos actores mais talentosos da actualidade, e a possibilidade de o demonstrar nos inúmeros filmes e séries em que entrou desde então deve-o principalmente a este papel, a Boyd Crowder.

Rio-me só de pensar que o plano inicial era o de matar esta personagem no final do primeiro episódio, e que só ao fim de a audiência teste ter gostado imenso da personagem é que decidiram filmar um final novo para o poderem incluir nos episódios seguintes.
Rio-me porque não consigo imaginar esta série sem ele, ao lado de Raylan ele tornou-se a cara de Justified, e a antítese perfeita para o protagonista, ao mesmo tempo que conseguem ser tão semelhantes. Duas faces da mesma moeda.

A personagem que este actor aqui interpreta, com uma qualidade e talento que me surpreenderam em todos os episódios, é provavelmente a mais peculiar e com o discurso mais delicioso que vi no pequeno ecrã desde há muito muito tempo. E é bem possível que tenha sido esse discurso, e a forma como é proferido pelo actor, que lhe tenha valido as oportunidades que já teve de trabalhar com Tarantino em duas ocasiões distintas.

Justified foi uma série que felizmente teve a oportunidade de contar toda a sua história, do início ao fim.
Seis temporadas foram realmente o número perfeito, nunca sentimos que andavam a arrastar a história sem saberem o que fazer, e este é o final perfeito que não necessita, nem exige, qualquer continuação ou explicação.

Há várias narrativas diferentes, com imensas personagens e vilões ao longo das seis temporadas, com todos eles a contribuírem imenso para a série e a enriquecerem o mundo em que ela se desenrola.

Quando chegamos ao final do último episódio, sentimos que tudo correu exactamente como tinha de correr.
Podemos não gostar ou concordar, mas pede que aceitemos e compreendemos.
Pessoalmente, adorei o final, e as últimas falas arrepiaram-me, pelo reconhecimento e significado com que estão carregadas.

VEREDICTO FINAL
✭✭✭✭✭✭✭✭✭✭
(10/10 )

Uma das séries que considero realmente imperdíveis, devido à qualidade do seu argumento, especialmente o diálogo, e às prestações de qualidade que reúne tem todos os seus intervenientes, desde as personagens principais às mais irrelevantes.

Do primeiro ao último episódio, a história vai fluindo muito natural e coerentemente, salteada por humor e momentos inesperados de grande violência e acção.

Quando começaram a passar os créditos do último episódio, dei por mim a sussurrar: Que série…
Duas palavras tão simples que naquele momento quiseram dizer tanto.

RECOMENDO.

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