Crítica – Feliz Dia Para Morrer (2017)

Título Original
Happy Death Day

Género
Terror

Realizador
Christopher Landon

Argumentista
Scott Lobdell

Elenco
Jessica Rothe, Israel Broussard, Ruby Modine, Charles Aitken e Laura Clifton


Uma universitária terá de reviver vezes e vezes sem conta o dia em que é assassinada, até que consiga descobrir a identidade do seu assassino.


Déjà vu?

Groundhog Day foi uma comédia, Edge Of Tomorrow foi ficção científica e agora temos o terror.

Quando vi o trailer para este filme fiquei extremamente ansioso e curioso para ver o resultado final, porque achei a ideia de colocar a premissa de Groundhog Day num slasher movie, em que temos de descobrir a identidade do assassino, algo extremamente ridículo, mas também apetitoso.

Infelizmente, o filme acaba por desperdiçar não só a premissa como o próprio terror.

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Tree Gelbman é uma universitária que se vê presa num ciclo de morte que parece não ter fim.
Ao fim de acordar no quarto de alguém que não se recorda, por estar demasiado alcoolizada na noite anterior, ela tenta levar o resto do dia normalmente, e à noite, é assassinada.
Volta a acordar, daquilo que julgou ser apenas um pesadelo, até que nota que está tudo a acontecer como antes, como se o dia fosse o mesmo, até que se apercebe que é realmente o mesmo dia, e vai ser novamente morta.

Agora, presa neste ciclo, ela chega à conclusão que a única forma de talvez quebrar esta maldição seja descobrir quem é o assassino e conseguir sobreviver à noite que a espera.

Como disse antes, esta ideia não é original, já foi feita em outros filmes, mas a forma como é aqui adaptada ao horror foi algo atraente, novo e diferente.
O problema é que o realizador e o argumentista não souberam que tipo de filme é que queriam fazer, se devia ser horror ou comédia, e assim o resultado final é um pouco desapontante já que não sucede em nenhum dos géneros.

Nunca chega a ser assustador, não só porque é sempre notório e expectável quando algo vai acontecer como a dada altura, através de uma montagem de várias mortes, a experiência se torna aborrecida e monótona.
Nunca chega a ter piada porque apesar de haver esforço em algumas das personagens, nenhuma delas tem oportunidade de realmente entregar algo notável.

A ideia do filme é tão interessante como ridícula, e havia aqui potencial para criar uma comédia de horror, mas o filme insiste em levar-se demasiado a sério, por isso quando tenta uma gargalhada ela cai de forma vazia e constrangedora.
Poderia então desenvolver momentos intensos, stressantes e aterradores, mas o realizador, pela forma como edita o filme, parece também recusar-se em fazê-lo, e assim o resultado é apenas uma experiência vazia que grita desperdício.

Foi óbvio, desde o começo, que foi escrito por um homem. As mulheres são simples máquinas sexuais, carregadas de clichés em todos os aspectos possíveis e imagináveis.
Aliás, toda a experiência universitária que este filme descreve é extremamente desapontante e embaraçosa.

As personagens estão todas sub-desenvolvidas e são carapaças ocas de estereótipos, existe algum esforço em relação à personagem principal para dar a entender ao espectador que ela não foi sempre aquela “cabra insensível”, mas até isso é bastante superficial e preguiçoso.

Poderia existir alguma esperança em relação ao assassino, mas rapidamente desaparece.

Ele comete imensos erros ao longo do filme, e só consegue matar as suas vítimas porque elas cometem erros ainda mais estúpidos, o que me irritou imensas vezes.
Quando chegamos ao fim e a sua identidade é revelada, é algo que não faz necessariamente sentido, e são vários os momentos que podem ser apontados como incoerente e óbvias lacunas de um argumento que tenta criar surpresa e twists de forma forçada e ilógica.

No que toca a prestações, Jessica Rothe faz o melhor que pode, e consegue momentaneamente transformar uma personagem desprezível em alguém bastante carismático e com algum interesse, o que em si já merece ser valorizado.

Happy Death Day não é horrível, nem tem necessariamente de ser considerado mau, é simplesmente algo esquecível e desnecessário.
E isso é pena, porque o trailer, e a ideia em si, prometiam algo memorável.

Veredicto Final
5/10

É um daqueles filmes que se vê com um grupo de amigos e se esquece logo de seguida. Nunca será mais que isso, e talvez nunca o tenha tentado ser, mas sendo produzido pela Blumhouse, e ao fim de Get Out, é sem dúvida um retrocesso muito grande.

 

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