Crítica – O Boneco de Neve (2017)

Título Original
The Snowman

Género
Crime, Drama, Horror

Duração
119 minutos

Realizador
Tomas Alfredson

Argumentistas
Peter Straughan, Hossein Amini, Soren Sveistrup

Elenco
Michael Fassbender, J.K. Simmons,  Val Kilmer, Rebecca Ferguson e Toby Jones

Sinopse
O detective Harry Hole investiga o desaparecimento de uma mulher cujo lenço é encontrado enrolado à volta de um boneco de neve com um aspecto misterioso.
Quando mais bonecos e vítimas começam a aparecer, confirma-se a presença de um assassino em série.


Sabem qual é o verdadeiro mistério?
É saber como é que um filme realizado por Tomas Alfredson, produzido por Martin Scorcese, protagonizado por Michael Fassbender e baseado numa obra de Jo Nesbo, se transforma numa das maiores desilusões do ano.

Quando um realizador decide dizer, antes de o filme estrear, que não conseguiu filmar cerca de 15% do argumento e que assim sendo o resultado final é uma espécie de puzzle onde faltam peças importantes, sabemos que aquilo que vamos ver é no mínimo curioso, e obviamente mau.

Não fica nada bem a Alfredson dizer isso, demonstra uma grande cobardia e falta de ética e respeito pelo trabalho de todos os outros membros do filme, e não tenho dúvidas que isso influenciou não só as críticas que foram feitas ao filme como o pobre desempenho na bilheteira.

Este seu comportamento pode muito bem vir a assombrá-lo no futuro.

Ao longo do filme notamos imensas incoerências e lacunas, mas mesmo que o filme tivesse esses 15% que supostamente faltam, continuava a ser um filme mau e extremamente confuso.

Alfredson já revelou no passado ser um realizador talentoso na forma como filma drama e mistério em Tinker Taylor Soldier Spy.
Mas o seu trabalho neste filme é apenas medíocre. Sim, existem momentos em que a cinematografia revela qualidade visual, mas tendo em conta o local e o ambiente, são tudo momentos que já esperamos, e que qualquer outro realizador iria pedir ao cinematógrafo para capturar.

E, para grande malefício do filme, Alfredson não sabe filmar acção.
Só existe um momento de acção no filme todo (outro aspecto negativo), que é quando Harry Hole (Fassbender) confronta finalmente o assassino, mas está tão mal filmado e coreografado que eu ainda agora não sei bem o que aconteceu.

A nível de argumento, a história é extremamente confusa, tem demasiadas personagens e tenta ser demasiado complexa e inteligente quando não tem capacidade para isso.
É irónico, os argumentistas, numa tentativa de manterem o espectador na escuridão, acabaram por se perder.

Nenhuma das personagens tem qualquer tipo de desenvolvimento, são todos arquétipos de algo que já vimos em outros filmes do mesmo género, uni-dimensionais e com apenas uma ou duas características distintas.

É suposto que Harry Hole seja este detective extremamente famoso e inteligente que resolve os casos todos, mas nunca o vemos a fazer algo que aponte para isso.
Ele nunca é necessariamente inteligente ou perspicaz.
Mas a dada altura uma personagem diz “Estudámos os teus casos, és uma lenda”, e é suposto que o espectador simplesmente diga “Está bem”, e o filme pede isso consecutivamente, seja com outras personagens ou com acontecimentos.

E depois há personagens como Arve Stop (J.K. Simmons) e Vetlesen (David Dencik) que estão apenas lá para parecer suspeitos, quando é óbvio que não são eles os culpados.
Dão demasiado tempo de ecrã a estas personagens, e desenvolvem toda uma narrativa secundária sobre os jogos olímpicos de inverno e o possível abuso de mulheres, mas nunca levam essas histórias a lado nenhum, elas simplesmente são mencionadas e fazem parte do filme, tal como as personagens.
Um desperdício de tempo, que podia ter sido gasto a filmar algo que realmente fosse crucial para a história, ou no mínimo, a desenvolver as outras personagens.

A própria edição do filme é um pesadelo, desde a forma como começa até aos constantes saltos cronológicos que, uma vez mais, não acrescentam realmente nada à história.

O filme começa com uma experiência traumática a uma criança, que julgamos ser a personagem principal, já que é a ele, agora adulto, que vemos de seguida a acordar num banco de jardim.
Ele é um alcoólico, com problemas de autoridade, sociais e que não consegue estar numa relação com ninguém, e dorme constantemente na rua.

Será isto pela experiência traumática do início do filme?
Não, essa criança nem sequer é ele.
Então porque faz ele isto?
Não sabemos, não interessa, vamos apenas voltar para os Jogos de Inverno ou qualquer outra ponta solta deste filme tão vergonhoso.

No que toca às prestações, os actores fazem o melhor que podem com o que lhes é dado, mas é em vão.

E começo a ficar preocupado com Fassbender, porque continua a escolher filmes que são destruídos pela crítica e não têm qualquer apoio dos fãs, compreensivelmente.
É um actor extremamente talentoso, um dos melhores da sua geração, mas tem de despedir os seus agentes e encontrar alguém que o oriente melhor.

Val Kilmer entra neste filme, e isso é provavelmente o mais confuso no meio desta experiência caótica.

O homem está doente, a combater cancro, por isso eu juro que não entendo a lógica em o colocarem no filme.
Não só o seu aspecto não se insere naquilo que a personagem deveria supostamente ser, como é óbvio que não é ele que está a falar.
É o trabalho de dobragem mais vergonhoso que já vi, a voz já se calou e ainda estamos a ver a boca de Kilmer a mexer-se.

Ver este actor neste estado e nestas circunstâncias foi uma experiência realmente depressiva.

VEREDICTO FINAL
✭✭
(2/10 )

Saí do filme desapontado, mas só quando me sentei para escrever esta crítica, e a pensar em tudo o que tinha visto é que realmente concluí o quão mau ele é.

Acho que nunca escrevi tantas vezes a palavra “confuso” como nesta crítica, e desculpem se me tornei repetitivo, mas queria evitar usar os palavrões que me apetecia realmente escrever.


The Snowman é uma autêntica desilusão em todos os aspectos, realização medíocre, uma narrativa caótica e completamente espalhada por todo o lado com personagens extremamente mal desenvolvidas e uma conclusão que não satisfaz ninguém, enquanto implora por uma sequela que nunca irá chegar.

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