Crítica – Ash VS Evil Dead: 1ª Temporada (2015)

Título Original
Ash VS Evil Dead

Género
Acção, Comédia, Fantasia

Criadores
Ivan Raimi, Sam Raimi e Tom Spezialy

Elenco
Bruce Campbell, Ray Santiago, Dana DeLorenzo, Lucy Lawless e Jill Marie Jones


Ash passou os seus últimos 30 anos a evitar a maturidade, responsabilidade e o próprio terror de encarar tudo o que lhe aconteceu.
Até que uma nova praga de Deadites ameaça a destruir o mundo, e ele é a única esperança da humanidade.


Glory, Gory, Hallelujah!

Cerca de 20 anos depois do último filme da trilogia, Ash regressa para defender o planeta e a humanidade de mais uma praga de mortos-vivos.
E ele nunca esteve melhor!

A história da série tem lugar 30 anos depois dos acontecimentos da trilogia, apesar do último filme nunca ser mencionado na primeira temporada por uma questão de direitos legais.

O meu receio em relação a esta série passava um pouco pelo motivo que justificasse que Ash voltasse ao activo.

Qual a explicação, ou até mesmo a necessidade, que iria ser dada a esta série?
A resposta é muito simples:
Ash vai fumar erva, ficar pedrado, e numa tentativa de impressionar uma mulher, lê uma passagem do Necronomicon, o livro dos mortos.

Se o material de origem fosse outro, esta explicação seria ofensiva, banal e ridícula.
Mas, em Evil Dead, e de acordo com o tom que sempre abordaram tudo, esta acaba por ser a resposta perfeita, que se insere na temporada e em todo o caos que daí irá advir.

A recomendação que eu posso, ou não, fazer desta série passa por uma questão muito simples:
O que acharam da trilogia original?

Se gostaram, então irão adorar a série e tudo o que ela contém.
Se odiaram ou não viram o interesse, então isto é apenas mais do mesmo, e irão questionar a necessidade de isto estar a ser exibido na televisão.

Agora, para quem não conhece a história:

Há 30 anos atrás, Ash e um grupo de amigos foi para uma cabana onde encontraram um livro misterioso.

Esse livro tinha uma capa feita de pela humana e estava escrito a sangue, era o livro dos mortos. Sem saberem, e com curiosidade e grande estupidez e ignorância, eles lêem umas passagens, acordando uma maldição antiga que se irá começar a apoderar de cada um deles.

Para sobreviver, Ash é obrigado a matar cada um dos seus amigos, que estão possuídos e se tornaram em criaturas horrendas, incluindo a sua namorada.
No processo, Ash é obrigado a cortar a sua mão que estava possuída, e para as sequelas ele irá ter um motosserra encaixado no seu couto de forma a usar como arma e se defender.

The Evil Dead já tem alguns momentos cómicos misturados com o gore excessivo, mas isso só irá aumentar em Evil Dead II e Army Of Darkness, com este terceiro e último capítulo a chegar ao ponto de envolver viagens no tempo.

Ash VS Evil Dead é o culminar dessa evolução, e é um produto hiperbolicamente absurdo, ridículo e com a maior quantidade de gore e violência gratuita que qualquer outra série alguma vez teve.

O orçamento desta série será certamente baixo, e isso acaba por beneficiá-la no sentido em que mantém as suas raízes independentes muito mais próximas do material de origem.

Irão notar falhas no CGI de pouca qualidade, o que poderá incomodar alguns espectadores, mas para aqueles que sejam fãs da trilogia de Evil Dead, essas falhas serão apenas tributos aos clássicos de outrora.

Onde a série tem grande sucesso é no uso de efeitos práticos.
A maquilhagem, as máscaras, os membros decepados e todas as criaturas horroríficas que aparecem ao longo da temporada são uma prova maravilhosa do talento de toda a equipa envolvida nesta série, e dão um aspecto visual muito mais atraente do qualquer efeito especial alguma vez conseguiria dar. Sem falar, claro, nos baldes e baldes de sangue excessivo e entranhas com que as personagens são banhadas repetida e constantemente.

Aliando a isso a realização da série, onde é perfeitamente notório o grande envolvimento de Sam Raimi como produtor e criador, Ash VS Evil Dead é uma autêntica dádiva visual para os fãs do género, que conseguem olhar para lá do sangue e dos monstros e reconhecer todo o talento, trabalho e amor com que é feito cada um dos seus episódios.

Por fim, tenho de destacar o icónico e lendário Bruce Campbell.

Este foi um actor que sempre adorou e respeitou o seu estatuto de estrela de filmes B, e devido a isso tem uma enorme legião de fãs leais que o adoram (incluindo eu).

Não há nada de errado com os filmes B, são filmes que sabem o absurdo que são, esforçam-se para ter qualidade num sentido diferente dos outros.
São filmes em que o parâmetro de “bom” e “mau” é muito relativo e está inteiramente dependente do auto-reconhecimento que um filme tem em relação ao que é, e se é suficientemente livre de pudores para ir até ao limite e mais além.

A trilogia The Evil Dead é o exemplo perfeito desses filmes, e Sam Raimi e Bruce Campbell, amigos e sócios de longa data, são os seus súbditos mais leais.

Bruce nunca esteve mais confortável, em qualquer outro projecto, do que está aqui ao interpretar Ash uma vez mais.
Não há qualquer tipo de separação entre ele e a personagem, são a mesma pessoa.

As prestações não são o mais importante nesta série, e nunca irão ser realmente reconhecidas ou premiadas como tal.
Mas, seria uma falha minha não dizer que Ash, e a forma como Bruce o interpreta aqui novamente, é a personagem mais cool e badass que a televisão tem neste momento.

Todos nós deveríamos agradecer por ter novamente Bruce e Ash de volta aos nossos ecrãs e às nossas vidas.


Veredicto Final
8/10

Ash VS Evil Dead é a continuação perfeita para a trilogia original, e o culminar de vários anos a escalar no nível de gore excessivo e absurdo que os seus filmes tiveram.

Sam Raimi e Bruce Campbell oferecem uma série bem realizada e com um visual muito atraente, preenchida pelos melhores efeitos práticos que a televisão tem para oferecer.

Não é uma série que vá conquistar aqueles que não gostaram dos filmes de outrora, mas irá agradar aos seus fãs, e quem sabe, conquistar uma geração mais nova no processo.

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