Crítica – Liga da Justiça (2017)

Título Original
Justice League

Género
Acção, Aventura, Fantasia

Duração
120 minutos

Realizador
Zack Snyder

Argumentistas
Chris Terrio e Joss Whedon

Elenco
Ben Affleck, Henry Cavill, Jason Momoa, Gal Gadot e Ezra Miller

Sinopse
Impulsionado pela sua nova esperança na humanidade, e inspirado pelo derradeiro altruísmo do Super-homem, Batman junta-se a Wonder Woman, Flash, Cyborg e Aquaman para defrontar uma nova ameaça ao planeta terra.


Não é tão mau como seria de esperar, mas deveria ter sido adiado para 2018.
Há muitas arestas por limar.

Com dois realizadores diferentes e uma ordem do estúdio que forçou o filme a ser excessivamente editado para não ter mais de duas horas de duração, Justice League é melhor do que aquilo que tinha direito de ser. Ainda assim, não é um bom filme.

Há aqueles que poderão argumentar que o filme é uma espécie de mistura, mas que os aspectos positivos são superiores aos aspectos negativos, eu sinto-me forçado a discordar.

Os aspectos positivos são: a equipa e a química que estabelecem, e a banda sonora.
Os aspectos negativos são: realização, efeitos especiais, vilão, argumento e até mesmo o diálogo, e a própria edição e construção da narrativa.

Vamos começar pelos aspectos negativos.

Zack Snyder e Joss Whedon são dois realizadores talentosos e de sucesso, contudo são duas pessoas com visões extremamente diferentes, e Joss não conseguiu, ou não quis, respeitar a visão de Snyder quando tomou controlo do filme e ficou encarregue das reshoots.

São obviamente notórios os momentos que foram escritos e filmados por Whedon, desde o diálogo mais animado e sarcástico até à iluminação e cor excessiva que enche o ecrã.
Estes momentos são necessários e úteis, aliás, são do melhor no que toca a estabelecer a química e a relação das personagens, o problema é que criam um contraste muito grande com os restantes e nunca encaixam como seria suposto.

Temos aqui dois filmes diferentes que lutam para se encontrar, sem nunca o conseguirem fazer com o sucesso que pretendem.
E isso prejudica muito os momentos visuais extremamente ricos e característicos que Snyder tentou inserir, momentos esses que aparecem apenas no final e muito esporadicamente durante o resto do filme.

Isso leva-me ao argumento, diálogo e à construção do filme

São aspectos que estão interligados e que se afectam uns aos outros.
Whedon não realizou apenas as reshoots, ele reescreveu parte do argumento e tentou inserir algum humor e levidade ao filme. mas não o soube fazer de forma subtil, é forçado.

Isso causa que muito do humor esteja um pouco deslocado, com apenas a haver alguns momentos que conseguem realmente encaixar na narrativa geral que o filme tenta estabelecer e construir.
Narrativa essa que é tão simplista e defeituosa que não só não se desenvolve a si própria como impede qualquer desenvolvimento ou aprofundamento das suas personagens, especialmente a aberração de CGI que é suposto ser o vilão.

Aqui é novamente evidenciada a falha lógica que a DC teve ao querer criar um filme de equipa antes de dar um filme individual a cada um dos seus membros.
É fácil para o público perdoar as falhas de Superman, Batman e Wonder Woman, porque já vimos estas personagens com muita frequência, mas com Cyborg, Aquaman e Flash as coisas já não funcionam tão bem.

Flash é cómico, Aquaman é estiloso e Cyborg é…bom, Cyborg no fundo não é nada, está triste por um bocado, mas depois passa-lhe e está apenas lá para desempenhar o seu papel no clímax final.

O filme tenta ser mais leve e cómico que os anteriores filmes da DC, e há que respeitar isso, especialmente os momentos em que parece suceder, mas é tudo tão apressado e estruturalmente confuso, especialmente com os cerca de três inícios diferentes que tem, que acaba por se tornar demasiado aborrecido e frustrante. Algo que aqui também já é culpa da edição horrível de que o filme é vítima.

O que me leva uma vez mais a dizer: o filme deveria ter sido adiado, algo que só irei fortalecer quando falar de seguida dos efeitos especiais.

Este filme não está acabado, isso é notório nos aspectos que mencionei antes no que toca ao argumento e edição, mas é dolorosamente óbvio nos efeitos especiais de qualidade absurdamente baixa que este filme tem.

É um filme que depende de VFX em muito daquilo a que se propõe, especialmente na construção do seu vilão, e eu não compreendo como é que permitiram que isto chegasse aos cinemas neste estado.

Há momentos simplesmente horríveis e constrangedores, especialmente a cena de abertura em que tiveram de remover digitalmente o bigode de Henry Cavill, foi tão mau que me apeteceu honestamente levantar e sair imediatamente da sala.
E ao longo do resto da sua duração há muitos mais momentos assim, porque o filme depende muito do CGI, está presente em todos os inimigos, está presente no clímax final, em todas as batalhas, no vilão e em Cyborg, e nunca está ao nível que seria de esperar para um filme deste calibre.

Em relação a Steppenwolf, o vilão, é dos piores que alguma vez vi num filme de super-heróis, e aqui não me refiro apenas ao CGI, mas sim à personagem em si.
Ele é completamente vazio e oco. Está lá para reunir três caixas com as quais quer transformar o planeta.
Quem é? De onde vem? Qual a relação com Darkseid? Nada disso interessa.
Ele aparece essencialmente quatro vezes: para cada uma das três caixas e para o conflito final, julgo que o motivo pelo qual tiveram de o fazer em CGI é porque nenhum actor estava desesperado o suficiente para dar a cara por uma personagem tão má.

Como é que posso então dizer que o filme é melhor que esperado?
Pela equipa!

Quando a equipa de protagonistas funciona bem entre si, tem química, é divertida e suficientemente cativante e carismática, conseguem fazer o suficiente para salvar um pouco o filme em que encontram.
E apesar de não transformarem Justice League em algo bom, conseguem fazer o suficiente para me darem esperança para o futuro e para transformar este filme em algo mais medíocre do que aquilo que seria de esperar.

Ben Affleck interpreta aqui um Batman mais vivaz, mais positivo e um pouco mais leve, conseguindo fornecer à mesma momentos visualmente atraentes, apesar de não serem tantos como Snyder certamente gostaria que fossem.
Se leram a minha última publicação na página, esta poderá ser muito bem a última vez que vemos Ben a pegar na cowl, é bom ver que entregou mais uma prestação digna, apesar de ser um pouco visível o desconforto do actor em algumas das cenas.

Gal Gadot tem aqui uma prestação um pouco desapontante ao fim do que entregou no muito superior Wonder Woman, mas a sua personagem funciona de forma relativamente decente como a “mãe” e líder deste grupo de homens mais infantis.
A sua bondade e código de honra e ética nunca parecem forçados ou falsos, algo que já é bastante positivo.

Jason Momoa e Ezra Miller estão perfeitos como Aquaman e Flash, respectivamente.
Flash fornece os momentos mais cómicos do filme e Aquaman é uma personagem ainda mais cool e badass do que alguma vez pensei que fosse possível. Fico muito ansioso para ver mais destas personagens e destes actores.
Fisher tem muito pouco com que trabalhar como Cyborg, mas parece ter boa química com o resto dos membros, por isso darei o benefício da dúvida.

Superman, tem aqui a sua aparição mais divertida e mais perto daquilo que realmente esperamos desta personagem.
Não há nada nos filmes anteriores que apontem para esta mudança, e nota-se que é algo que decidiram mudar apenas porque sim, mas é uma mudança bem vinda que dá realmente vontade de ver mais da personagem e de Henry Cavill.

Com todo o caos que ocorreu durante a sua produção já é um milagre o filme não se desfazer completamente a cada cinco minutos, mas apesar de todos esses problemas e de todos esses defeitos, este elenco faz um esforço titânico para o levar até à meta final.

A banda sonora de Elfman é fenomenal, conseguindo relembrar todas as faixas dos filmes anteriores e introduzindo variações novas de outros clássicos.
Mas é a música dos créditos de Junkie XL e Gary Clark que realmente me fez virbrar.

VEREDICTO FINAL
✭✭✭✭✭
(5/10 )

É um filme com mais defeitos que qualidades, mas devido a um elenco talentoso que demonstra ser a escolha perfeita para as personagens que desempenham, o filme consegue chegar à meta final.

A DC ainda tem um longo percurso a percorrer, mas é possível ver a nova direcção que escolheram e parecem estar a tomar as decisões correctas nesse sentido.

Saí do filme esperançoso, e com muita vontade de ver as próximas iterações das personagens, por isso não é o falhanço que receava.

No entanto, este é um filme que devia ter sido adiado para corrigir as suas inúmeras falhas, e Whedon não foi o salvador que muitos esperavam.

O filme tem duas cenas pós-créditos.

A primeira é apenas mais um momento leve e cómico para estabelecer a parceria entre duas personagens.
Mas a segunda não irão querer perder, eu infelizmente não a pude ver, mas recomendo que fiquem até ao fim e a vejam, tem grandes repercussões para o que está para vir.

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2 opiniões sobre “Crítica – Liga da Justiça (2017)

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