Crítica – Mr. Mercedes: 1ª Temporada (2017)

Título Original
Mr. Mercedes

Género
Thriller

Criador
David E. Kelley

Elenco
Brendan Gleeson, Harry Treadaway, Kelly Lynch, Holland Taylor e Mary-Louise Parker


A história de um psicopata que mata várias pessoas ao conduzir um Mercedes em direcção a uma multidão e do detective reformado que o tenta encontrar.


Qualquer publicidade é boa publicidade, não é Mercedes?

2017 foi um ano simpático para Stephen King e para os seus fãs.
As suas obras foram adaptadas para três filmes (The Dark Tower, It, Gerald’s Game) e uma série, com mais a chegarem em 2018 e nos anos seguintes.
E à excepção de The Dark Tower, todas as adaptações conseguiram suceder nos seus objectivos.

Mr. Mercedes é o primeiro livro da trilogia de Bill Hodges.
Tendo em conta que esta série se focou apenas no primeiro livro, será seguro em assumir que o plano envolverá um total de três temporadas.
É sem dúvida a forma ideal de contar esta narrativa, algo que espero que consigam também fazer com a série de The Dark Tower que está neste momento a ser planeada.

Os motivos que me levaram a ver esta série foram sem dúvida o nome de King e o trailer que me deixou intrigado.
Mas o que me manteve preso ao ecrã durante os dez episódios, desde o seu começo doentio até ao clímax final, foi Harry Treadaway e a sua assombrosa prestação.

Seria seguro assumir que a partir do momento em que sabemos quem é o assassino, quem é o criminoso, que o mistério, o suspense e o interesse se iriam perder.
Contudo, é aí que Mr. Mercedes se torna apenas mais cativante e interessante.

Nós sabemos quem é o vilão desde o início do primeiro episódio, mas o argumento constrói e desenvolve a narrativa de uma forma genial, em que ficamos cada vez mais intrigados em saber quem é esta personagem, o porquê de ser assim, o que a motiva e qual o seu psicológico.
São tudo perguntas a que vamos respondendo a pouco e pouco, e que nos vão assustando e incomodando cada vez mais.

A narrativa que King construiu, e que os argumentistas desenvolveram com qualidade, consegue entreter e fascinar, mas a série nasce e morre no protagonista e no antagonista.

Se estas duas personagens não conseguissem agarrar a atenção do espectador, nada disto teria relevância, e neste caso isso dependeria também do desempenho dos actores escolhidos para esses papéis.

Brendan Gleeson e Harry Treadaway têm aqui duas prestações dignas de aclamação, respeito e nomeações para as suas áreas, especialmente Treadaway.
São duas personagens extremamente conflituosas, não só entre si mas consigo próprias. São dois homens fracturados e destruídos emocionalmente, cada um à sua maneira.
A grande diferença é que enquanto um conseguiu canalizar os seus demónios para fazer o bem, o outro abraçou o seu lado negro e transformou-se na encarnação do próprio mal que o possui.

Gleeson é um actor muito talentoso, e por isso consegue entregar aqui um trabalho digno e de mérito sem grande esforço aparente. É uma personagem de quem é fácil gostar e sentir empatia, mesmo nos momentos em que possa ter comportamentos mais estúpidos. E as suas interacções com outras personagens conseguem trazer a tão necessária leveza e humor a uma série tão negra e violenta.

Contudo, é Treadaway quem vai roubar sempre a atenção do espectador. Há muito tempo que não via, seja em filme ou em série, uma personagem que me incomodasse tanto como esta.
Este é um vilão tão repugnante e malévolo que sentimos arrepios na espinha apenas ao olhar para a sua cara doentia, ainda antes de ele fazer ou dizer o que quer que seja.
Conhecia já este actor do seu trabalho em Penny Dreadful, mas aqui ele eleva o nível, e entrega-se totalmente ao ser doentio que interpreta.

Os argumentistas fizeram um trabalho fenomenal na forma como desenvolvem, constroem e explicam esta personagem ao espectador ao longo da temporada. Nunca há grandes dúvidas que desde o início que ele estava “destinado” a algo assim, e apesar disso, apesar dos sinais, não conseguimos evitar a surpresa que sentimos sempre que ele eleva a fasquia do horror, da violência e da repugnância do que é e do que representa.

Mr. Mercedes é uma série que merece ser vista, mas que ainda assim, exige alguns avisos prévios em relação às expectativas.

É violenta, misteriosa e cativante.
Contudo, não vamos ter homicídios e pistas constantes. O nosso protagonista irá andar atrás do vilão, sim, mas é um jogo extremamente psicológico, que muitas vezes abranda para as personagens se desenvolverem e a história respirar, nunca há pressa e o suspense só existe realmente mais nos últimos episódios.
Não é a típica obra de terror de Stephen King, nem a típica série policial a que estamos acostumados, Mr. Mercedes é ambiguamente familiar e inovadora na forma como aborda os temas e os géneros que todos julgamos conhecer tão bem.


Veredicto Final
8/10

Mr. Mercedes é uma série de grande qualidade, e mais uma óptima adaptação de uma obra de Stephen King.

Pega em muitos elementos que nos são familiares, do género policial, mistério e horror, e consegue criar algo extremamente único e inovador na forma como desenvolve a sua narrativa e, acima de tudo, as suas personagens.

Gleeson e Treadaway entregam aqui duas das melhores prestações televisivas do ano, e carregam sem qualquer custa a série na relação que estabelecem entre si e, uma vez mais, na forma como essa relação e as próprias personagens se desenvolvem.

Recomendo a série, e aguardo ansiosamente pelas duas próximas temporadas, que assumo eu serem as últimas.

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