Crítica – O Guarda-Costas e o Assassino (2017)

Título Original
The Hitman’s Bodyguard

Género
Acção, Comédia

Realizador
Patrick Hughes

Argumento
Tom O’Connor

Elenco
Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson, Gary Oldman, Salma Hayek e Joaquim De Almeida


Um dos melhores guarda-costas do mundo recebe um novo cliente, um assassino que tem de testemunhar no Tribunal de Crime Internacional.
Para sobreviverem e chegarem ao tribunal a tempo, terão de colocar as suas diferenças de lado e ajudar-se mutuamente.


“This guy single-handedly ruined the word motherfucker.”

Este filme pode muito bem ser uma das melhores surpresas do ano.
Não porque é algo de fenomenal, mas sim porque não é tão mau como pode parecer inicialmente.

Os trailers para mim deixaram muito a desejar, pareceu humor forçado e improvisado, asneirento e exagerado apenas porque sim.
E apesar de o filme conter sem dúvida alguma muitos momentos assim, na sua generalidade é uma história cómica e divertida com umas prestações simpáticas que entregam exactamente aquilo que um filme deste tipo exige.

Este argumento inicialmente tinha sido formulado para ser um drama, e encontrava-se na Black List de 2011, mas ao fim de uma reestruturação de duas semanas, tornou-se numa comédia.

Tom O’Connor só tem um outro filme no seu currículo de argumentista, Fire With Fire, um dos muitos trabalhos medíocres que Bruce Willis protagonizou nos últimos anos.
Por isso o facto de saber que antes das alterações, tínhamos aqui um argumento dramático tão antecipado, fico um pouco triste pelas alterações que lhe impuseram, ainda que tenha gostado do resultado.

É uma premissa original, com personagens relativamente interessantes, carismáticas e cómicas, com um desenvolvimento e desfecho já previsíveis e que preenche vários clichés do género buddy cop em que de certa forma se insere. E a necessidade de inserirem romance pelo meio é questionável, especialmente o de Amelia (Elodie Yung) e Michael (Ryan Reynolds).

Não é um filme formidável que vá estar presente nas listas de melhores filmes do ano, mas numa altura em que as comédias R-Rated são sempre tão forçadas e absurdas, dependentes apenas de palavrões e exageros, esta consegue distinguir-se por ser superior a isso.

Comete sem dúvida alguns erros semelhantes, mas a química entre Reynolds e Jackson consegue sempre salvá-lo dos momentos em que se parece afundar.

As prestações dos dois actores aqui é particularmente notável por estarem a ir contra o tipo em que se costumam inserir, com Reynolds a ser a voz da razão e Jackson a ser o extrovertido e impulsivo.
E ainda que eles tenham improvisado muito e quebrado muitas vezes a essência daquilo que a sua personagem deveria ser, perdoamos sempre isso por nos estarmos a divertir tanto com eles.

Dou uma nota de rodapé para a presença de Joaquim De Almeida, que não sabia que entrava no filme, mas que nunca me fez duvidar nenhuma vez o tipo de personagem sub-desenvolvida que interpretava.
Começa a ser um actor que já está fixo num dado papel, e apesar de gostar de o ver em projectos tão vistosos, é também um pouco decepcionante que não aproveitem mais o seu talento.

A nível de realização, cinematografia e todos os restantes aspectos técnicos não há muito que me venha à memória para mencionar.

É um filme que entrega exactamente aquilo a que se propõe, nem mais nem menos.

Dou no entanto louvor a Patrick Hughes pela acção. É um realizador que já tinha feito algo de interessante com a acção de The Expendables 3, e aqui volta a conseguir não decepcionar totalmente.
Uma vez mais, não é nada de especial, mas num filme essencialmente de comédia, não esperava uma acção tão bem filmada e coreografada.


Veredicto Final
5/10

Uma surpresa agradável, que consegue ser muito superior ao desastre que eu esperava.

Apesar das falhas e dos clichés, tem uma premissa original, que o Reynolds e Jackson conseguem elevar constantemente através da química que partilham e das personagens carismáticas e peculiares que desenvolvem.

Não é um filme que vem inventar a roda ou deixar os espectadores de boca aberta, nem é algo particularmente memorável.
É um bom filme, apesar de não ser necessariamente um filme bom.

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