Crítica – Amor De Improviso (2017)

Título Original
The Big Sick

Género
Comédia, Drama, Romance

Realizador
Michael Showalter

Argumentistas
Emily V. Gordon, Kumail Nanjiani

Elenco
Kumail Nanjiani, Zoe Kazan, Holly Hunter, Ray Romano e Bo Burnham


O comediante paquistanês e a estudante Emily Gardner apaixonam-se, mas as suas culturas diferentes entrem em confronto.
Quando Emily contrai uma doença misteriosa, Kumail encontra-se forçado a lidar com os pais dela, as expectativas da sua própria família e os seus verdadeiros sentimentos.


Não compreendo o fascínio…

The Big Sick poderá muito bem ser o La La Land deste ano, no sentido em que é aquele filme que recebe críticas extremamente positivas e que se encontra em várias listas de melhores filmes do ano, e eu não consigo de forma nenhuma perceber o porquê.

La La Land teve a realização talentosa de Chazelle, uma excelente banda sonora e uma cinematografia igualmente elevada. Gostei do filme, é bom, mas o argumento nunca o deixa ser mais que isso.

The Big Sick, para além de uma ou outra prestação, não tem nada a meu ver que o consiga elevar para além do razoável.

O trailer de The Big Sick apresentou-me um filme extremamente cómico com fortes elementos dramáticos e um grande elemento romântico, ancorados por uma história verídica.

Infelizmente, o filme não consegue entregar nenhum destes elementos com verdadeiro sucesso. Aliás, o trailer tem uma edição muito mais inteligente que o próprio filme, são várias as piadas que resultam no trailer e que falham por completo no filme em si.

No resultado final a comédia pareceu-me sempre forçada e constrangedora.
Ri-me talvez em dois momentos, no resto senti-me apenas triste pelo que estava a ver, o desperdício de potencial e a insistência em algo que simplesmente não estava a funcionar incomodaram-me constantemente.
A personagem de Chris, interpretada por Kurt Braunohler, parece saída de outro filme. Todos os seus momentos foram tão irritantes e desnecessários que eu desligava do filme cada vez que ele aparecia.

No que toca ao drama, a realização e o argumento nunca concordam na intensidade que querem dar a cada situação.
Para além disso, ao sabermos que isto é a história verídica de como Kumail conheceu a sua esposa, e que portanto ela sobreviveu, os momentos em que nos dizem que ela poderá morrer não têm efeito nenhum, passam completamente ao lado.

Ao construir um filme em que o espectador já sabe de antemão o final, é necessário ser inteligente na construção narrativa, o drama e o suspense precisam de ser extremamente intensos e detalhados, de forma a que a audiência ignore por momentos a realidade que já conhecem.
A realização tem de ser muito subtil e controlada, a banda sonora necessita de grande intensidade…

The Big Sick nunca faz isso, tem um bom início, mas o seu desenvolvimento deixa muito a desejar, nunca sentimos qualquer preocupação ou ligação a nenhuma das personagens, ou pelo menos, não da forma que a história requer.

A nível de elenco, e focando-me no principal, à excepção de Kumail todos fazem um óptimo trabalho.

A química entre todos é um autêntico sucesso, e Holly Hunter domina completamente todas as cenas em que se encontra.
Ray Romano é o coração do filme, fornece não só os momentos mais cómicos e honestos, mas toda a pouca empatia que consegui sentir ia para ele e para a forma como tentava lidar com tudo.

Zoe Kazan não teve muito com que trabalhar, mas fez o melhor que pode e uma vez mais, a sua química com Kumail é muito honesta e credível.
Kumail consegue entregar o humor sem qualquer dificuldade, é quem ele é, mas os momentos dramáticos são algo para o qual ele não tem talento, e é isso que me faz criticar negativamente a sua prestação. Para vender bem o filme seria necessário sentir a dor da sua personagem, e é algo que ele nunca consegue realmente vender à audiência.

The Big Sick é um filme extremamente simpático.

É uma pena que não consiga ser bem nem drama nem comédia, mas ainda assim, é uma história que consegue ser cativante.
O facto de Emily ter sobrevivido e Kumail ter ficado ao seu lado durante todo esse tempo é realmente louvável. É o tipo de história que parece tão típica de Hollywood que até custa acreditar que realmente aconteceu.

E ainda que o filme em si não seja para mim o que eu gostaria que fosse, dou o devido mérito à tentativa de adaptação e respeito o esforço que aqui foi feito, especialmente por ser algo tão pessoal com memórias tão dolorosas.

Deixo também o mérito para a forma como foca o conflito de culturas de uma forma tão leve e honesta, sem preocupação com represálias do público ou até mesmo da sua família.

Nada disto irá afectar a minha nota final.
Classifico o filme e não a história em que se baseia, mas não poderia fazer uma crítica honesta sem dizer o quanto respeito o material e o quanto me tocou saber que ainda há histórias de amor assim.


Veredicto Final
4/10

Custa-me dar esta nota a um filme com uma história tão tocante e poderosa, mas infelizmente não consigo em boa consciência dar mais.

The Big Sick é, como já disse, um filme simpático, e acredito que poderá tocar o coração de muitas pessoas.
Mas é também um filme que falha em muito daquilo a que se propõe. A maioria da comédia não atinge as notas que tem em mente e o drama é ineficaz e um pouco vazio.

Tem algumas prestações de qualidade, mas é só isso.

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