Crítica – Hitchcock (2012)

Título Original
Hitchcock

Género
Biografia, Drama

Realizador
Sacha Gervasi

Argumentistas
John J. McLaughlin

Elenco
Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Danny Huston e Toni Collette


Foca a relação de Alfred Hitchcock (Anthony Hopkins) e a sua esposa, Alma Reville (Helen Mirren), durante a produção do filme Psico (1960).



“You may call me Hitch. Hold the Cock.”

A informação que eu tenho da verdadeira história por trás de Psico e da vida pessoal de Hitchcock é muito pouca, e para benefício do filme, achei melhor não a aprofundar previamente.

Há obviamente alguma liberdade criativa em certas decisões, mas a minha crítica irá cingir-se ao filme e não à realidade do que aconteceu.

E, em relação ao filme, tenho de começar já por dizer que é muito mais divertido, carismático e interessante do que aquilo que se pode inicialmente assumir.

Para um filme biográfico sobre o realizador que é ainda hoje considerado “o mestre do suspense”, e sobre o making off do seu primeiro filme de terror, e que ainda hoje é um clássico do género, Hitchcock consegue ser extremamente leve e cómico.

Hitchcock é interpretado por Anthony Hopkins, praticamente irreconhecível debaixo das próteses tão perfeitamente colocadas e construídas.  E ao contrário do que poderíamos assumir inicialmente, a personagem apesar de lutar com inúmeros demónios interiores e uma grande pressão e conflitos pessoais, é alguém com um grande sentido de humor, que nos irá colocar um sorriso na cara mesmo nas alturas em que isso não é necessariamente a sua intenção.

A forma como Psico chega ao grande ecrã, é absolutamente fascinante, e aqui tudo isso é focado, desde o financiamento do filme até à sua campanha publicitária.
Não quero entrar em demasiados detalhes porque acho que se tornará mais interessante não saberem como tudo isso ocorre, mas posso desde já dizer que é algo extremamente motivacional e inspirador, um pouco semelhante ao processo que Stallone teve de ultrapassar pelo primeiro filme de Rocky.

Contudo, todo esse making off é muitas vezes remetido para segundo plano, ou se preferirmos, ligeiramente ofuscado pelo drama pessoal de ciúme e desconfiança que Hitchcock passa com a sua esposa Alma, interpretada pela sempre maravilhosa Helen Mirren.

Isto foi um risco que os argumentistas e o realizador correram, porque prejudica todo o aprofundamento que era esperado neste tipo de filme. As pessoas esperavam que muitos aspectos aqui retratados fossem mais desenvolvidos e aprofundados, em vez de serem despachados tão rapidamente e com um facilitismo tão grande.
Contudo, apesar de compreender essas críticas, para mim o filme continua a resultar naquilo que quer ser, apenas não é aquilo que muitos esperavam, ou que o próprio trailer e marketing os tenha levado a pensar.

Todo este drama emocional, tão pessoal e privado, mostra um lado de Hitchcock que muitos não conhecem, e numa altura em que se luta tanto pelos direitos de igualdade entre o sexo masculino e feminino, Alma é sem dúvida alguma uma personagem extremamente forte, e um dos grandes motivos de sucesso de Hitchcock ao longo da sua carreira.
Esse é um aspecto que muitos desconhecem, e o facto de o filme o focar tão abertamente e abrir todo esse assunto à discussão é sem dúvida louvável e algo que eleva um pouco mais o filme.

Hitchcock é uma surpresa deliciosa no grande entretenimento e fascínio que me ofereceu.

Como disse, toma algumas liberdades criativas com alguns acontecimentos que não aconteceram realmente da forma que retrata, mas fá-lo sempre de uma forma que não cria necessariamente nenhuma confusão e incómodo. São alterações relativamente mínimas que tornam algumas das mensagens do filme em algo mais óbvio e forte.

Acho que toda a atenção que é dada a Ed Gein, apesar de ter sido muito reduzida quando comparada com a versão original do argumento, podia ainda assim ser mais limitada.
São cenas que oferecem algum poder visual e que fortalecem o quão perturbado Hitchcock estava, e compreendo a sua necessidade, mas há um ou outro momento em que parecem um pouco forçadas demais e destoam um pouco do resto do filme.

Hopkins, como já mencionei anteriormente, é o grande protagonista do filme e oferece uma prestação bem desenvolvida, subtil com esporádicos momentos explosivos que dão grande poder a Hitchcock e à forma como ele representa a intensidade das cenas.

Mas, é Mirren quem rouba o filme.
Compreendo que não tenha sido nomeada para Óscar devido à competição que enfrentava, mas é sem dúvida um trabalho fenomenal que ela consegue aqui criar com material tão relativamente reduzido.
Outra actriz menos talentosa não só não conseguia interpretar o poder que pretendiam para a personagem de Alma, como não iria tornar tão relevante a sua narrativa e o seu progresso e desenvolvimento pessoal.

Há no entanto que mencionar que todo o elenco tem um trabalho de mérito com as suas respectivas personagens, e reuniram aqui um grupo extremamente talentoso que inclui também Scarlett Johansson, Danny Huston, Toni Collette, Jessica Biel, entre outros…


Veredicto Final
7/10

Hitchcock é um filme que sofre de algumas inconsistências a nível de tom e não oferece o aprofundamento histórico e biográfico que pode ter prometido e que muitos certamente esperavam.

Ainda assim, é uma filme muito superior ao que eu esperava, que toma algumas liberdades criativas com a realidade, e foca temas que eu não esperava ver a serem aqui tratados, o que resulta num produto que me ofereceu muito prazer enquanto espectador.

E mesmo para quem não concorde com o meu parágrafo anterior, têm sempre o filme salvo pelo trabalho dos seus dois protagonistas principais, Hopkins e Mirren, com esta última a ser sem dúvida aquela que rouba todas as cenas em que se encontra.

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