Crítica – Peaky Blinders: 1ª Temporada (2013)

Título Original
Peaky Blinders

Duração
60 minutos
(por episódio)

Género
Crime, Drama

Criador
Steven Knight

Elenco
Cillian Murphy, Paul Anderson, Helen McCrory, Sophie Rundle e Ned Dennehy

Sinopse
Um épico familiar de gangsters passado em 1919 em Birmingham, Inglaterra.
Centra-se num gang que cose lâminas de barbear nos seus chapéus, e no seu chefe feroz, Tommy Shelby, que quer subir no mundo.


“By order of the Peaky Blinders”

Steven Knight é um argumentista muito talentoso, ainda que desconhecido para muitas pessoas.
Eu próprio era um ignorante em relação ao seu trabalho, apesar de aparentemente já ser seu fã há algum tempo através de filmes em que desconhecia o seu envolvimento.

Foi com Locke em 2013, curiosamente o mesmo ano em que Peaky Blinders começou, que o seu nome entrou no meu vocabulário.
Locke é um filme que poucos deverão conhecer, mas que eu recomendo vivamente.

Assim sendo, apesar de ter demorado a experimentar Peaky Blinders, esta era uma série que já estava na minha lista há imenso tempo.
Não só por ser escrita por Knight, mas também por ser protagonizada por Cillian Murphy, e ter Tom Hardy, Adrien Brody e Sam Neil como actores convidados.

Em termos de história e narrativa, aquilo que temos aqui não é necessariamente novo, é algo de que já vimos um pouco em muitos outros trabalhos semelhantes.

Mas, devido a um diálogo cativante e muito bem escrito, e com personagens extremamente bem desenvolvidas e sempre interessantes, Peaky Blinders torna-se rapidamente uma série que não queremos perder, e sobre a qual queremos saber sempre mais.

Aliada à sua escrita, Knight tem uma das melhores produções técnicas que já vi em séries, mas a que a BBC já me habituou.
Os vestuários, cenários e caracterização das personagens são simplesmente divinais.
Até o próprio CGI consegue oferecer transições e completar as cenas de forma muito fluida, tendo em conta o orçamento reduzido que tem uma série quando comparada com um filme.

Com 6 episódios a rondar uma hora de duração, a série nunca excede a sua estadia, e apesar de ter uma história muito linear e que certamente poderia ser contada em metade do tempo, consegue esticá-la sem parecer forçado ou desnecessário.

A duração é um problema que eu tenho frequentemente com as séries, sentindo que sacrificam a qualidade da sua narração em benefício de mais um par de episódios para ter uma temporada mais longa.

Peaky Blinders é uma das raras séries em que isso não me incomoda, e em que o tempo extra é utilizado para aprofundar o ambiente e as personagens de forma extremamente inteligente e cativante, plantando inúmeras sementes e curiosidades que serão colhidas em temporadas ainda por vir.

Aos elogios que teci à escrita e ao desenvolvimento das personagens, tenho obrigatoriamente de aliar a prestação do elenco.

A maior parte dos membros do elenco eram desconhecidos para mim, ou alguém que tinha visto muito fugazmente.
Cillian Murphy, Annabelle Wallis e Sam Neil foram os únicos que realmente reconheci, e assim, apesar de todo o elenco estar de parabéns, irei reduzir-me a estes três actores, já que também são as figuras centrais.

Cillian Murphy é um actor que eu admiro e respeito já há muitos anos, e que por algum motivo que me escapa, continua a ser ignorado pelo cinema e a ser sempre remetido para papéis secundários.
É um dos melhores actores da sua geração, um protagonista no verdadeiro sentido da palavra, capaz de vender drama e acção. Em Peaky Blinders temos finalmente aquele primeiro trabalho que lhe permite correr por um leque muito variado de emoções, e à medida que a personagem for crescendo nas próximas temporadas isso só irá aumentar.
É sem dúvida um dos pontos mais fortes desta série que por si já é tão boa.

Annabelle Wallis foi uma surpresa agradável.
Tanto quanto me lembro o único projecto em que a vi recentemente foi o desapontante The Mummy, onde a sua personagem foi um cliché de donzela em apuros que não acrescentou nada ao filme a não ser a necessidade de Tom Cruise ter um interesse romântico.
Aqui as coisas são diferentes, Annabelle é uma personagem central da história, uma mulher interessante, independente e segura de si mesma.
É uma personagem muito dividida em relação ao que tem de fazer e àquilo que começa a sentir, e Annabelle interpreta essa dualidade com grande segurança e talento.

Sam Neil é aquele que exige menos de mim.
Quem conhecer este nome certamente que conhece a capacidade de talento e alcance que ele tem, talento esse demonstrado já em muitos anos de carreira, que percorreram tanto o drama, como a comédia e a acção/aventura.
Aqui ele não interpreta necessariamente o vilão, até porque é quem está do lado da lei, mas é certamente aquele a que podemos chamar de antagonista.
É uma personagem muito focada e com um único objectivo, ainda que ao longo da temporada comecemos a ver rachar naquela que parecia ser uma estrutura tão segura e estável. Sam consegue capturar tanto o perigo como medo que ele sente, e fá-lo de uma forma realmente louvável, sem que uma coisa venha comprometer a outra.

Antes de encerrar, existem outros dois aspectos que tenho de mencionar: banda sonora e cinematografia/edição.

A banda sonora da série é divinal, e perfeitamente aliada com tudo o que acontece, desde a escolha para música de abertura ser Red Right Hand de Nick Cave & The Bad Seeds, até a todas as que vão surgindo ao longo dos episódios.

Existe um confronto físico no segundo episódio, que se desenrola em câmara lenta ao som de Blue Veins dos The Raconteus, que é absolutamente linda de ser ver.
Muito reminiscente de uma outra que tinha visto na série Hell On Wheels, ao som de Mumford & Sons.

A nível de edição e cinematografia, a série está também muito bem conseguida, desde a forma como é filmada, à iluminação e capacidade técnica que é colocada em cada frame.
Existe um jogo muito inteligente entre as cenas mais iluminadas e aquelas mais negras, de uma forma que não só representa o que se passa com as personagens, mas que transmite ao espectador a mensagem bem clara de que o ambiente e o espírito é diferente da cena anterior.

VEREDICTO FINAL
✭✭✭✭✭✭✭✭✭
(9/10 )

Esta primeira temporada de Peaky Blinders, ainda que não apresente nada que nunca tenhamos visto, faz um óptimo trabalho em introduzir-nos neste mundo e na vida das personagens.

Com uma escrita deliciosa e personagens extremamente bem desenvolvidas, as 6h de duração passam a voar e sentimos-nos cada vez mais presos a este ambiente negro e depressivo em que tudo se desenrola.

O elenco faz todo um trabalho fenomenal, mas Cillian Murphy como protagonista e chefe do gang titular é sem dúvida aquele que nos prende a atenção em todos os seus momentos de ecrã.

 

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