Crítica – O Estrangeiro (2017)

Título Original
The Foreigner

Género
Acção, Crime, Drama

Duração
113 minutos

Realizador
Martin Campbell

Argumentista
David Marconi

Elenco
Pierce Brosnan, Jackie Chan, Rufus Jones, Mark Tandy e Caolan Byrne

Sinopse
Um homem humilde, com um passado misterioso, procura justiça pela sua filha, que foi morte num acto de terrorismo.
Uma perigosa perseguição de gato e rato começa quando ele fica obcecado com um oficial do governo, cujo passado pode esconder as respostas que ele tanto procura.


Este não é o Jackie Chan a que estamos habituados, e não há nada de errado com isso.

The Foreigner é baseado no livro The Chinaman, escrito por Stephen Leather.
É um thriller político com elementos de acção, que coloca Jackie Chan e Pierce Brosnan em lados opostos, num filme realizado por Martin Campbell, um veterano em filmes de vingança.

Este filme é uma espécie de híbrido entre Edge Of Darkness (também realizado por Campbell) e Law Abiding Citizen, inferior ao primeiro e relativamente melhor que o último.
Coloca Jackie num papel que exige que ele flicta o seu músculo dramático de uma forma bastante superior àquilo pelo qual é conhecido.

Para grande surpresa minha, ele sucede em todos os momentos em que tal lhe é exigido, e entrega uma prestação deveras poderosa e emocional.

No entanto, o facto de Jackie interpretar aqui algo tão diferente do que lhe é habitual, poderá também ser motivo pelo qual muitas pessoas saiam do cinema desapontados.

Deixo então aqui a nota de que isto não é um filme de acção, e muito menos de comédia.
Existem sem dúvida momentos mais violentos, onde Chan fornece boas lutas coreografadas e até alguns momentos acrobáticos. Mas, a essência do filme é o drama e o thriller político à volta do qual tudo se desenvolve.

Para quem quiser Jackie Chan com 30 anos e a saltar de prédios, tem muitos filmes por onde escolher.
Quem estiver disposto a dar uma oportunidade ao Jackie Chan de 63 anos, este é um bom local para começar.

Do lado oposto de Chan temos Pierce Brosnan, a fornecer também uma das suas melhores prestações dos últimos anos, chegando mesmo a roubar muitas das cenas em que se encontra.
Ainda assim, o seu sotaque teve vários momentos em que pareceu forçado demais, e outros em que simplesmente desaparecia. Pode parecer uma crítica mesquinha, mas houveram alturas em que me incomodava.

Mas, se tirarmos essas duas prestações superiores, o filme por si só já fica um pouco mais atrás.

Campbell é um realizador,  que já revitalizou a franchise do Zorro e duas vezes a de 007. Ainda assim, ignorando o horrível Green Lantern, este é um dos seus filmes mais fracos dos últimos anos.
Como já mencionei várias vezes antes, o que temos aqui é um thriller político com elementos de acção, e quando o filme tenta ser apenas um desses géneros, não temos grandes problemas, infelizmente o mesmo já não se pode dizer nas transições de thriller para acção, e vice-versa.

Edge Of Darkness, é um filme de Campbell que tem acção no meio de um thriller de conspiração e mistério. Contudo, nesse filme a acção surge de forma coerente e com sentido, sentimos um crescendo para os momentos em que ela surge.
Em The Foreigner, sendo Jackie Chan um actor mais acrobático na forma como luta, a sua acção nunca se insere tão subtilmente como deveria no meio da política que está a ocorrer, parece um pouco mais forçada e exagerada.

VEREDICTO FINAL
✭✭✭✭✭✭
(6/10 )

The Foreigner tem duas prestações louváveis de Jackie Chan e de Pierce Brosnan, que por si só já justificam a sua visualização.

O grande problema do filme para mim foi o tom que estabeleceram.
O thriller político e a acção nunca foram desenvolvidos em conjunto, e assim sendo, quando chega altura de mudar de mudança e aumentar a velocidade do que está a acontecer, escalando a acção, o filme tropeça em vez de correr como seria suposto.

Campbell é um realizador com qualidade, e gosto da maioria dos seus filmes, mas infelizmente aqui não soube conciliar a acrobacia de Chan com as conversas de gabinete, o que infelizmente prejudica um filme que tinha potencial para ser algo mais.

 

 

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