Crítica – A Cidade Perdida de Z (2017)

Título Original
The Lost City Of Z

Género
Aventura, Biografia, Drama

Realizador/Argumentista
James Gray

Elenco
Charlie Hunnam, Robert Pattinson, Siena Miller, Tom Holland e Edward Ashley


Um drama biográfico, de início do séc. XX, sobre a vida de Percival Fawcett, um explorador inglês que dedicou a sua vida à obsessão que tinha em encontrar uma civilização misteriosa que ele acreditava estar algures na Amazónia.


É demasiado longo e maçudo para a história de aventura que deveria ser.

The Lost City Of Z é um projecto curioso, no sentido em que aquilo que o prejudica mais é também uma das suas maiores qualidades.

James Gray é um cineasta maravilhoso, capaz de entregar peças cinematográficas de elevada qualidade e classe, por isso ao pegar numa história de aventura, mistério e adrenalina, já seria de esperar que não seria o típico filme blockbuster a que Hollywood nos tem habituado.

Assim sendo, este não é tanto um filme biográfico sobre a aventura de Fawcett como é um filme sobre a sua obsessão, a relação com a sua esposa e com o seu filho mais velho e de que forma é que ele lutava para sair da sombra do seu pai e ser visto como um homem de mérito e de valor.

Isto são qualidades a louvar na ambição de Gray, o problema é que tudo isto torna o filme demasiado longo e com muitos momentos aborrecidos e um pouco parados e monótonos.

James Gray é a estrela deste filme.

A realização é soberba, a sua atenção ao detalhe é tanta que me senti fascinado durante a longa duração da sua película.
É alguém que sabe muito bem o valor de uma boa produção e de uma equipa técnica talentosa, isso é visto constantemente na iluminação, que difere imenso entre a luz natural, de vela ou mais fluorescente, e no próprio cenário, vestuário e toda a caracterização das suas personagens.

É um filme com um visual extremamente atraente, que faz jus à época em que se encontra, ao mesmo tempo que homenageia muitos clássicos semelhantes como Apocalypse Now ou até mesmo Laurence Of Arabia.

A nível de argumento, aquilo que ele faz com as personagens é de longe o mais surpreendente.
Não há uma única personagem que não pareça ser uma pessoa real, todas elas muito bem desenvolvidas, apresentadas e com o diálogo perfeito.
É tão fácil nestes tipo de filmes as personagens femininas, esposa da personagem principal, serem esquecidas e remetidas para segundo plano, mas aqui Siena Miller interpreta uma mulher desenvolvida, detalhada e tridimensional.

A relação de Fawcett e a sua esposa, Nina, é um dos aspectos mais interessantes da história. E apesar do seu pequeno tempo de ecrã, ficamos com a noção bem clara da força desta mulher, do que aguentou e do que tolerou, do seu grande intelecto, da sua mentalidade progressiva e da proto-feminista que já aparentava ser.

Com isso dito, e tal como mencionei no início, é um filme demasiado longo e com imensos momentos que se arrastam mais do que deviam, criando algum aborrecimento.

Respeito o que é aqui feito e é uma obra cinematográfica majestosa, mas torna-se difícil de recomendar devido ao quão lento decide ser, e sem dúvida que não é algo que eu tenha interesse em rever novamente.

É um filme que só pode exigir uma única visualização, e é pena, porque se Gray tivesse permitido a si mesmo ser um pouco mais solto e tentar aumentar minimamente a acção de tudo o que acontece na selva, em vez de nos arrastar constantemente para discussões à porta fechada, talvez o filme pudesse ser mais interessante e oferecer mais entretenimento.

O ritmo do filme também não é o mais apropriado, e a construção cronológica dos acontecimentos por vezes torna-se confusa, acreditando que houve lá uma parte em que parece haver mesmo um engano, mas já estava tão cansado que não tive grande interesse em conferir.

The Lost City Of Z não é tanto sobre a cidade perdida como é sobre os demónios interiores que afectam a personagem principal.
Fawcett é alguém que luta para limpar o nome da sua família, ao fim do seu pai destruir toda a fortuna em álcool e apostas.

Ele quer ser o soldado, o homem, e o pai que o seu nunca foi, mas devido à obsessão que envenena a sua vida, vai acabar por falhar imensamente no último aspecto.
Não é uma pessoa má, tem o seu coração no sítio certo, mas ignora aquilo em que se está a tornar e a mensagem que passa para os seus filhos, não vendo que os está a tornar em pessoas tão rancorosas como ele é em relação ao seu próprio pai.

Isto cria uma personagem muito interessante, que apesar de não ser o herói que esperávamos, e tornar perfeitamente compreensível o seu fim, fornece também a Charlie Hunnam um dos melhores papéis da sua carreira.

O filme merece também ser respeitado na crítica social que tenta fazer não só ao racismo, mas também à ganância, arrogância e ganância da época.

Veredicto Final
7/10

Tivesse Gray focado um pouco mais a aventura e a acção que a sua história tinha potencial para contar, e isto era possivelmente um dos melhores filmes do ano.

Infelizmente, para beneficiar o desenvolvimento das personagens, e a carga emocional e dramática da sua narrativa, algo acabou por ficar para trás.

Ainda assim, é um filme majestoso com realização soberba que mantém Gray como um dos verdadeiros artistas e cineastas clássicos de Hollywood.

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