Crítica – Trilogia do Senhor dos Anéis (2001-2003)

Título Original
Lord Of The Rings

Filmes Incluídos
Fellowship Of The Ring
The Two Towers
Return Of The King

Duração
180-200 minutos

Género
Aventura, Drama, Fantasia

Realizador
Peter Jackson

Argumentistas
Fran Walsh, Philippa Boyens, Stephen Sinclair e Peter Jackson

Elenco
Viggo Mortensen, Orlando Bloom, Sean Astin, Ian McKellen e Elijah Wood

Sinopse
Um Hobbit do Shire e oito companheiros embarcam numa viagem para destruir O Anel, o anel todo poderoso, e salvar a Terra-Média do Senhor do Mal, Lord Sauron.


Na minha opinião, é a melhor trilogia de sempre.
E sim, digo isto sabendo o valor que é dado à trilogia original da saga Star Wars ou até mesmo The Godfather.

Não há nenhum trilogia na história que tenha tido tanta influência no cinema como a saga Star Wars, tanto por parte dos críticos como dos fãs.
Mudou completamente a mentalidade de Hollywood em relação à ficção científica e ao cinema do fantástico e do desconhecido, e motivou os restantes estúdios a tentarem algo semelhante.

Contudo, nunca fui fã desse género de filmes, respeito-o, mas não é para mim.
Aliás, é raro o filme desses que consigo ver até ao final com a devida atenção, ao fim de várias tentativas.

Lord Of The Rings para mim é superior e única em múltiplos aspectos: realização, prestação dos actores, efeitos especiais, estrutura narrativa, desenvolvimento e aprofundamento das personagens e a simples ambição e feito incrível que foi filmarem os três filmes em conjunto e lançá-los com apenas um ano de diferença entre eles.

Daqueles elogios que teço à saga, só é desculpável para Star Wars os efeitos especiais, devido ao facto de serem épocas diferentes, contudo, ao fim de 17 anos desde o primeiro filme da saga (Fellowship Of The Ring) a sua qualidade visual mantém-se e o filme não é afectado pelo tempo da forma que outros do mesmo género o são.

LOTR Trilogy Posters by Marko Manev

Como é óbvio, o cinema é subjectivo, e assim sendo é perfeitamente compreensível que muitos discordem daquilo que eu acabei de escrever, e tendo em conta o fanatismo que envolve algumas das trilogias existentes o que eu disse pode até parecer sacrilégio, mas ainda assim, é o que sinto.

É rara uma adaptação literária que consiga ser aclamada e respeitada por parte dos fãs, mas foi exactamente isso que Jackson e a sua equipa conseguiu aqui fazer, não só em termos visuais, mas também em casting e no foco que foi dado às personagens e às suas linhas narrativas que começam a ficar separadas no final do primeiro filme.

Fellowship Of The Ring desenvolve-se em torno de uma irmandade de nove membros, algo que fica separado no final desse filme:
– Frodo (Elijah Wood) vai com Sam (Sean Astin)
– Aragorn (Viggo Mortensen), Legolas (Orlando Bloom) e Gimli (John Rhys-Davies)
– Merry (Dominic Monaghan) e Pippin (Billy Boyd)

Sendo forçados a separar as personagens, e a dividir o tempo de ecrã  não só entre estas três “equipas”, mas também entre os vilões e outras personagens relevantes, seria extremamente fácil para os argumentistas criarem um material defeituoso.

Fran Walsh, Philippa Boyens, Stephen Sinclair e Peter Jackson nunca deixam que isso prejudique a escrita, o diálogo e a construção narrativa, e aqui os elogios têm de ser dirigidos mais especificamente aos três primeiros nomes, já que Jackson só esteve envolvido na escrita do segundo filme (Two Towers), aquele que muitos apontam como o mais fraco. Eu não concordo necessariamente com essa afirmação, sinto que todos os momentos que as pessoas podem considerar mais lentos e aborrecidos são necessários para desenvolver a história, e sem eles iria perder-se o suspense e toda a carga emocional das batalhas que acontecem mais tarde.

A realização de Jackson, e a cinematografia do filme, tem muitos momentos para brilhar, seja isso devido aos panoramas mais afastados que temos das paisagens e da arquitectura desta época, ou até mesmo na iluminação e na cor que é influenciada pela cena mas que ela própria também influencia.

Contudo, é nos momentos de conflito, onde tanto podia correr mal, que o talento deste realizador é evidenciado para lá do expectável.
Até aos dias de hoje, estas continuam a ser das batalhas mais emocionais, mais bem coreografas e mais bem filmadas que alguma vez tive o prazer de ver. Um feito que ele próprio não conseguiu repetir na trilogia do The Hobbit, devido também a uma construção narrativa menos talentosa.

As batalhas nunca sofrem de shaky cam, e mesmo em alturas em que notamos as filmagens por hand-held isso não influencia negativamente a estabilidade visual do que estamos a ver, Jackson dá espaço para a luta respirar e para a podermos testemunhar em toda a sua magnitude. Algo que aqui também se deve ao grande talento da equipa técnica e de duplos.

Quando menciono o nível emocional das batalhas, isso deve-se uma vez mais, à construção em fundamentada e desenvolvida que é dada às personagens e às consequências do resultado da batalha que estamos a testemunhar, mas isso é apenas o núcleo, e é necessário algo que o envolva.

É aqui que entra a banda sonora de Howard Shore, que venceu Óscar pelo primeiro e terceiro filme da saga.
Apesar de este não ser um dos meus compositores preferidos, ou até mesmo um dos mais conhecidos, as suas bandas sonoras para esta trilogia são sem dúvida das mais memoráveis e fenomenais que o cinema tem para oferecer, e têm uma influência fenomenal naquilo que estamos a ver no ecrã.
Basta verem a batalha sem som ou com outra música por cima para compreenderem o quão fundamental é o trabalho que Howard fez, e de que forma é que isso influencia directamente o que sentimos.

Por fim a nível de prestações, todo o elenco oferece aqui um trabalho de grande qualidade, alguns deles têm aqui, possivelmente, as melhores prestações da sua carreia, ou no mínimo as mais memoráveis.

Dou o destaque para Viggo Mortensen como Aragorn, Elijah Wood como Frodo, Sean Astin como Sam, Ian McKellen como Gandalf e Andy Serkis como Gollum/Smeagol.

O motivo de destaque para estes poderá também dever-se ao arco narrativo mais amplo que as suas personagens têm, mas todos eles, cada um à sua maneira, tem uma prestação incrível, que faz jus àquilo que a sua personagem é, ao que sente e ao que significa.

Existe uma tendência para comparar Lord Of The Rings Game Of Thrones, e eu compreendo a ideia, sendo ambas histórias da idade média com seres mitológicos.
Mas para mim a comparação começa e acaba aí, apesar de Sean Bean ser fenomenal em ambos.

O argumento e o desenvolvimento de Lord Of The Rings é para mim muito mais atraente, e o mesmo pode ser dito das personagens.
É aqui que volta a entrar a subjectividade da arte. Admiro a realização, prestação dos actores, efeitos especiais, e até mesmo a escrita que desenvolveram para a série, apenas é algo em que não consigo ter o mesmo interesse ou ser afectado da mesma forma pelo destino das personagens, se bem que isso é o que acontece numa história que acaba por tornar a morte em algo cliché e mundano.

VEREDICTO FINAL
✭✭✭✭✭✭✭✭✭✭
(10/10 )

É para mim a melhor trilogia que o cinema tem para oferecer, e duvido se alguma me irá fazer sentir aquilo que esta fez quando a vi pela primeira vez, e continua a fazer nas vezes em que o repeti.

Compreendo as críticas que foram feitas ao segundo filme por parecer um pouco mais lento, mas recuso-me a prejudicar os argumentistas e o realizador por quererem focar o desenvolvimento da história e da narrativa de uma forma que sentiram que iria ser benéfico para o que viria depois.
Da mesma forma que também não crítico Return Of The King por ter mais confronto, já que é o encerrar de uma guerra que começou no primeiro filme.

Poderão tentar, mas as circunstâncias com que estes filmes forem feitos, a forma como foram feitos e a inovação que isso implicou para aquela época, é algo que poderá nunca mais ser repetido.

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