Crítica – Mystic River (2003)

Título Original
Mystic River

Duração
138 minutos

Género
Crime, Drama, Mistério

Realizador
Clint Eastwood

Argumentista
Brian Helgeland

Elenco
Sean Penn, Tim Robbins, Kevin Bacon, Laurence Fishburne e Marcia Gay Harden

Sinopse
As vidas de três homens, que eram amigos de infância, são quebradas quando um deles tem uma tragédia familiar.


“We bury our sins…we wash them clean.”

Baseado na obra de Dennis Lehane, Mystic River é uma história negra e depressiva, sobre um crime recente que irá despertar ligações emocionais em relação a um crime mais antigo.

Envolve três amigos de infância, cujas vidas são para sempre transformadas quando um deles é capturado por dois pedófilos; como adultos foram-se adaptando a uma espécie de rotina desconfortável, que só é quebrada quando acontece uma nova tragédia.

Era muito fácil este filme cair no género de mistério de “Quem o fez?”, e cometer clichés e decisões previsíveis. Mas com um argumento inteligente e prestações fenomenais de todo o elenco, Mystic River eleva-se acima do género, e é um filme extremamente profundo que sabe acordar, de forma correcta e credível, uma dor muito honesta, sobre algo que todos gostariam de esquecer.

O filme irá centrar-se nas três crianças que mencionei, agora adultos.

Jimmy (Sean Penn), um ex-presidiário ainda com ligações criminosas que é proprietário de um mini-mercado; Dave (Tim Robbins), o rapaz que foi violado e que cresceu para ser um adulto que se esforça por ser estável e um bom pai, e Sean (Kevin Bacon), um detective de homicídios.

Jimmy mantém o olho atento sobre a sua filha mais velha, Katie (Emmy Rossum), que tem um namoro secreto com Brendan (Thomas Guiry), rapaz que o seu pai não aprova.
Contudo, antes da relação poder progredir, Katie é encontrada morta e com sinais de agressão.
Brendan torna-se um dos suspeitos, mas Dave também, tendo em conta o estado a que chegou a casa nessa noite.

O filme desenrola-se de forma semelhante a uma série procedural, com as entrevistas a testemunhas, interrogatórios e suspeitas que vão surgindo.

Mas no seu núcleo, o grande tema do filme é a sensação de culpa e de dor.
A dor de um pai e a relação única e forte que existe entre um pai e uma filha, e noutros aspectos, entre um homem e a sua esposa.
Quando Jimmy diz que vai matar o homem responsável, não temos motivos nenhuns para desconfiar disso, da mesma forma que também não duvidamos da confiança cega que a sua família deposita nele e em tudo o que faz.

Em relação a este aspecto, existe um contraste muito grande entre a esposa de Jimmy e a de Dave, algo que se torna mais notório no final do filme.
Temos também um momento em que a esposa de Jimmy tem um comportamento inspirado em Lady MacBeth, ao responder à sua necessidade de vingança, e apesar de o achar desnecessário e forçado, consigo compreender a necessidade que Eastwood sentiu em o colocar.

Mystic River fornece a todos os seus actores a hipótese de brilharem, com momentos marcantes e emocionais, especialmente a Sean Penn e a Tim Robbins.
Penn agarra a audiência desde o momento doloroso e explosivo em que encontra o corpo da sua filha, a partir daí entramos numa jornada que se torna mais interessante do que a própria revelação final.

Eastwood realiza o filme com muita calma e uma subtileza tranquilizante, deixando os três actores principais viverem dentro da sua cúpula de dor e ressentimento.
Numa época em que há tantos realizadores a insistirem nos cortes frenéticos e grandes jogos de luzes e de câmaras, é refrescante ver um realizador que se mantém fiel à história e ao que realmente interessa.
Não é um dos meus realizadores preferidos, mas Eastwood é um dos poucos que deixa o seu filme falar por si, ao mesmo tempo que ouve as personagens e simpatiza com elas.

É alguém que não faz nada pelo espectáculo, mas sim pelo significado que poderá para a personagem e a audiência.

VEREDICTO FINAL
✭✭✭✭✭✭✭✭✭
(9/10 )

Mystic River é um filme que desafia o género em que se insere, com uma narrativa que, apesar de seguir os traços esperados, se vai revelando como extremamente profunda e emocionante.

Eastwood realiza o filme sempre a pensar no efeito, e nunca no espectáculo, deixando que os actores forneçam aqui prestações marcantes para a sua carreira, e forçando a audiência a sentir a dor constante que se arrasta pelo ecrã e pela vidas das personagens.

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