Crítica – Black Panther (2018)

Título Original
Black Panther

Género
Acção, Aventura, Ficção Científica

Duração
134 minutos

Realizador
Ryan Coogler

Argumentista
Ryan Coogler e Joe Robert Cole

Elenco
Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o, Sterling K. Brown e Martin Freeman

Sinopse
Ao fim da morte do seu pai, T’Challa ascende ao trono como rei de Wakanda, uma sociedade tecnologicamente avançada e isolada do resto do mundo.
Contudo, o seu reinado é ameaçado quando surge um forasteiro vingativo, com uma raiva criada por um erro do pai de T’Challa.


“You are a good man, with a good heart. And it’s hard for a good man to be a king.”

Dos últimos três filmes que a Marvel lançou, este é sem dúvida o melhor, mas infelizmente isso não significa muito.

Não me interpretem mal, Black Panther é um filme que sucede em muito daquilo que quer alcançar, mas tem demasiadas falhas para eu me render a ele como o resto do mundo parece ter feito.

Começando pelos aspectos positivos, tenho de elogiar em primeiro lugar o visual do filme e o “mundo” que criaram.

Wakanda, apesar de não a explorarmos tanto quanto eu gostaria, é uma sociedade absolutamente maravilhosa, tanto na tecnologia desenvolvida como na arquitectura, trajes e maquilhagem.

A equipa técnica, e todos aqueles que trabalham na sua construção, souberam fazê-lo com um respeito enorme pela cultura africana e por tudo aquilo que ela significa.
Fizeram-no de uma forma extremamente credível e lógica, não há nada que pareça demasiado exagerado, desde a caracterização das personagens até à própria forma como dançam ou realizam os seus rituais. Se alguma sociedade africana tivesse tido um boom tecnológico é credível que se tornasse em algo muito próximo daquilo que Black Panther nos apresenta.

Neste sentido, e dentro da mesma linha, elogio a realização de Coogler. Este é ainda um jovem, mas com três filmes de sucesso e criticamente aclamados no seu currículo, é fácil assumir que terá um futuro brilhante.

Há sem dúvida aspectos a melhorar, que irei mencionar mais à frente, mas de uma forma geral, notamos um crescimento na sua capacidade, e sendo este o seu primeiro blockbuster, tem uma estreia forte, que merece a minha admiração.

O elenco, maioritariamente afro-americano, faz um trabalho louvável e que merece todo o respeito do mundo, mas Michael B. Jordan e Danai Gurira são para mim os grandes destaques.

Killmonger, a personagem de Jordan, é um vilão muito interessante e com um potencial enorme, mas infelizmente, tal como todos os outros, é desperdiçado.
Li algures críticas que comparavam Killmonger ao Joker de Heath Ledger, e isso é simplesmente ofensivo. Existe aqui uma luz de potencial para algo grandioso, mas nunca passa disso.
A motivação de Killmonger e aquilo que passou para ali chegar são sem dúvida aspectos interessantes, mas sem os aprofundar devidamente, não passam de meras curiosidades.

Ainda assim, e apesar de ter um tempo de ecrã extremamente curto, ao ponto de a dada altura eu já me ter esquecido dele, o vilão acaba por ser muito mais cativante e interessante que o herói de Chadwick Boseman, e isso deve-se em grande parte ao talento de Jordan.
A calma e o controlo de T’Challa tornaram-no interessante em Civil War, mas aqui, ao longo de 134 minutos de filme, ele torna-se monótono e aborrecido.

Danai interpreta uma personagem muito semelhante à que tem em Walking Dead, mas fá-lo de uma forma que parece que não lhe exige qualquer esforço. É talvez a personagem com uma presença mais poderosa e intimidadora do filme todo, e eu adorei-a. Aliás, todas as personagens femininas estão escritas como mulheres fortes, poderosas, independentes, corajosas e extremamente inteligentes, algo louvável e que me deu imenso prazer de ver.

Dizer que este filme é uma origin story parece-me inapropriado, porque a única origem que temos é a de T’Challa como rei, e não como Black Panther.

Para mim, a forma apropriada de contar este filme (e ser realmente origin story) era com duas histórias paralelas, a de T’Challa e a de Killmonger.
Julgo que seria extremamente interessante vê-los a crescer e a forma como as suas vidas contrastavam ao longo dos anos, com T’Challa a ter todas as facilidades de ser filho de um rei, e Killmonger a lutar pela sua sobrevivência.

Se tivessem feito isto, teríamos um grande desenvolvimento entre as duas personagens, criávamos empatia maior com aquilo que cada um é e representa, e tornaria o confronto final muito mais poderoso e a ser uma aposta maior em relação ao futuro.

Da forma como optaram por desenrolar a história, nunca senti qualquer risco, drama ou suspense, foi tudo muito cliché e genérico.
Não é que alguém esperasse que T’Challa morresse no seu primeiro filme, mas lançarem o trailer de Avengers: Infinity War antes do filme estrear, com cenas em que vemos T’Challa como rei a liderar um exército, foi também uma triste decisão de marketing, já que eliminou todo e qualquer suspense ou repercussões que este filme pudesse ter.

Existe também uma tentativa de crítica social em relação ao racismo e à escravatura, mas é abordado de forma tão leve que se torna apenas uma desculpa para a motivação de uma das personagens e nunca a grande crítica ou mensagem que poderia ser.

Por fim, e antes de encerrar, quero comentar mais dois aspectos.

O CGI teve imensas falhas, foram várias as cenas em que se notava perfeitamente que não estava terminado e que não foi concluído como deveria ser ou dentro daquilo que costuma ser o alto padrão da Marvel. O que se torna interessante, já que Thor: Ragnarok também teve momentos constrangedores com green screen.

As cenas de acção foram todas horríveis. Aqui não crítico necessariamente as coreografias, mas sim o trabalho de câmara que tornava praticamente impossível de compreender aquilo que se estava a passar.
Black Panther é suposto ser um mestre de artes marciais, este filme devia ser aquele com a acção mais fluida e maravilhosa de todos, e foi um dos seus pontos mais fracos.

VEREDICTO FINAL
✭✭✭✭✭✭
(6/10 )

Black Panther não é um filme mau, mas também não é necessariamente um filme bom, é apenas sólido.

Tem muitos aspectos positivos, e a mensagem social que tenta passar é louvável, e é maravilhoso ver um elenco tão étnico a liderar um filme deste estatuto, mas isso não é suficiente para eu ignorar as suas imensas falhas.

Como comecei por dizer, é o melhor filme dos últimos três que a Marvel lançou, mas isso não significa muito, e não cria a ansiedade e curiosidade que eu queria para Avengers: Infinity War, quanto tanto, deixa-me mais receoso.

Ao contrário do que muitos disseram: este não é o melhor filme da Marvel, não é o primeiro filme com um super-herói negro (lembrem-se de Blade) e Killmonger não é um vilão ao nível de Joker.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s