Crítica – Lucifer: 1ª e 2ª Temporadas (2015 e 2016)

Título Original
Lucifer

Género
Crime, Drama, Fantasia

Duração
42 minutos
(por episódio)

Criador
Tom Kapinos

Elenco
Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D. B. Woodside e Lesley-Ann Brandt

Sinopse
Lucifer Morningstar decidiu que está farto de ser o rei do Inferno e “demite-se”, indo passar algum tempo na terra para melhor entender a humanidade.
Decide ir viver para Los Angeles.


“I love L.A. Even the homeless have an IMDb page.”

Lucifer não é uma série perfeita, longe disso, mas se permitirmos, torna-se demasiado divertida para a recusar, o que tendo em conta o título acaba por ser ironicamente apropriado.

Não está ao nível de Californication, a antiga série de Kapinos, e sem dúvida que seria mais bem aproveitada num estação diferente da FOX, mas devido a uma grande química entre o elenco e personagens carismáticas, torna-se melhor do que aquilo a que tem direito.

A série é inspirada na banda-desenhada da Vertigo, ainda que inúmeras alterações lhe tenham sido impostas, nomeadamente na caracterização das personagens.

É uma série procedural, o que significa que temos imensos episódios soltos que alimentam pouco o grande arco narrativo principal que nos pode interessar. Mas, tal como em Castle, devido à empatia que vamos estabelecendo com as personagens, toleramos de relativamente bom grado estes episódios que abrandam a narrativa principal mas que acrescentam muito às personagens e às relações que estabelecem entre si.

O grande problema está na dificuldade que a série sente em conciliar o seu mundo fantástico e irreal com o planeta em que supostamente todos habitamos. Os poderes de Lucifer e quem ele é nunca são discutidos ou encarados com credibilidade suficiente, e a própria história tem demasiadas incoerências e lacunas lógicas que eu enquanto espectador não consigo deixar passar ao lado.
Acho, no entanto, interessante e curioso que a palavra Jesus, Maria e até mesmo Gabriel nunca sejam mencionadas, o que significa que ou ignorarão essa vertente religiosa, ou a estão a guardar para algo futuro.

Existem algumas falhas que são corrigidas na segunda temporada, contudo ainda há muito caminho para percorrer até Lucifer se conseguir estabelecer como algo que vale por si só e por a história que tenta contar. Até lá, é apenas um substituto para a ausência de algo melhor, como a já mencionada Castle.

A inserção da mãe de Lucifer na segunda temporada é inteligente, e traz mais algum humor e peso à série e à relação de Lucifer com o seu irmão Amenadiel, mas nunca há uma decisão clara em relação ao que querem fazer com ela.
É uma personagem que grita constantemente o conflito que os argumentistas sentem em decidir se a tornam uma vilã ou apenas mais uma co-protagonista, algo que estraga completamente o final da segunda temporada, que em vez de se tornar explosivo e inesperado é apenas recebido com um encolher de ombros.

A perspectiva que eles têm de ver Lucifer é extremamente diferente e interessante, mas precisam de ir para além disso, caso contrário estão sempre a bater no mesmo prego, e isso tornar-se-à aborrecido muito depressa, aliás, tenho as minhas dúvidas em relação à renovação para uma quarta temporada.

Lucifer precisa de um antagonista à altura, e não algo que se resolva no final da temporada, mas sim alguém que se arraste, se os portões do inferno estão abertos têm aqui uma oportunidade óptima para explorar essa vertente maligna.
E, sinto que trazer Deus a dada altura à terra seria extremamente poderoso para a série e para a própria personagem de Lucifer, como ele encararia o seu pai e como isso o afectaria.

Com isso dito, precisam-no de o fazer de forma inteligente, já que neste momento têm um elenco demasiado grande que pede mais rotatividade. Criaram personagens interessantes, e isso é óptimo, mas necessitam de estabelecer um núcleo base fixo e rodar as restantes.

Há várias personagens que neste momento estão em nível de igualdade em relação à relevância que têm para a história, e devido à impossibilidade de dividir o tempo de ecrã entre elas, irão criar grande insatisfação por parte dos seus fãs, o que por sua vez prejudicará a série.
É preciso ter muito cuidado no desenvolvimento que é dado daqui para a frente.

Tom Ellis in Lucifer (2015)

A nível de prestações e realização não há muito a apontar, é tudo muito genérico e dentro do género esperado.

Tom Ellis é o casting adequado, misturando o charme britânico com uma boa dose de humor e carisma, mas o resto do elenco nem sempre o consegue acompanhar.
Lauren German não tem a mesma capacidade de Ellis, e apesar de se notar alguma evolução, isso acaba por prejudicar a química das personagens.

Nesse aspecto posso também dizer que ou os deixam ficar juntos ou permitem que eles sigam cada um o seu caminho, porque por esta altura também já estou cansado desse tipo de jogo cliché que se vê em todo o lado.

Por fim, os efeitos especiais são muito maus, mesmo para televisão, há momentos em que beneficiavam mais de efeitos práticos.

VEREDICTO FINAL
✭✭✭✭✭✭
(6/10 )

Lucifer tem uma premissa muito interessante, mas ainda não conseguiu desenvolvê-la da forma esperada, optando em vez disso por insistir em demasia no mesmo aspecto da personagem.

É demasiado cliché e previsível, mas devido à química entre o elenco e as personagens interessantes que interpretam para já consegue reunir qualidades suficientes para justificar a sua visualização.

Tenho esperança que a terceira temporada comece a caminhar na direcção que espero, ou no mínimo, que comece a caminhar na direcção de algo novo.

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