Crítica – Vingadores: Guerra do Infinito (2018)

Título Original
Avengers: Infinity War

Género
Acção, Aventura, Fantasia

Duração
149 minutos

Realizadores
Anthony Russo, Joe Russo

Argumentistas
Christopher Markus e Stephen McFeely

Elenco
Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Rufallo, Chris Evans e Scarlett Johansson

Sinopse
Os Vingadores e os seus aliados devem estar dispostos a sacrificar tudo e todos numa tentativa de derrotar o poderoso Thanos, antes que a sua onda de devastação destrua metade do universo.


“In time, you will know what it’s like to lose. To feel so desperately that you’re right. Yet to fail all the same. Dread it. Run from it. Destiny still arrives.”

Este é um daqueles filmes que é difícil de criticar sem ter a tentação de entrar em spoilers apenas pela necessidade de contar a estrutura da história e decisões criativas que seguiram, contudo, tal como sempre fiz, e por respeito a todos os que ainda não tenham visto o filme, é exactamente isso que prometo fazer.

Começo por explicar que isto não é apenas um filme, Avengers: Infinity War é um evento.
É o local onde culmina tudo aquilo que nos foi apresentado pela primeira vez em The Avengers, há cerca de seis anos atrás.

Para o espectador ocasional, será apenas mais um filme de super-heróis e de acção, para os fãs mais dedicados, como é o meu caso, esta é uma experiência extremamente emocional, especialmente por aquilo que vai significar para o futuro do universo Marvel e de todas as personagens que seguimos há já dez anos.
E foi com este segundo público em mente que Joe e Anthony Russo abordaram a realização e construção do filme, desde a cena de abertura até ao à cena pós-créditos.

Este é o 19º filme do MCU, e é o primeiro a romper a fórmula que têm seguido desde o primeiro Iron Man em 2008.

Normalmente, os filmes têm três grandes divisões: Setup, Confronto e Resolução.
O Setup é onde nos apresentam a personagem e como ela se torna o super-herói que todos conhecemos; o Confronto é onde ele e o vilão, ou os seus lacaios, têm os primeiros encontros e conflitos; a Resolução é onde o vilão (subdesenvolvido) é derrotado e nos são apresentadas pistas para o que poderá surgir na sequela.

Avengers Infinity: War é um filme que é todo confronto.
Podemos argumentar que o setup para ele começou com The Avengers em 2010 e a resolução só irá ser alcançada com a sequela que irá estrear para o ano, ou quem sabe, nem aí.

Este é um filme que agarra nas personagens no início do filme e nunca mais as deixa respirar ou acalmar, e de certa forma, é também isso que acontece com o público.
Foram várias as vezes em que dei por mim a agarrar a cadeira com mais força, e o desconforto que o resto do da plateia no cinema sentia, era realmente poderoso e quase palpável.

O meu filme preferido do MCU continua a ser Captain America: The Winter Soldier, e infelizmente, ainda não é este que o vem destronar.
Contudo, ao fim de me sentir desiludido e enganado com os últimos filmes, este vem restaurar a minha esperança no universo, e apesar de não ser perfeito, acredito que seja o melhor que poderiam fazer.

Joe e Anthony Russo tinham aqui uma tarefa gigantesca e inédita.
Nunca no cinema houve um filme desta escala, seja em orçamento, elenco, personagens ou história.
Tinham tudo para falhar, e ainda assim, de alguma forma, conseguiram realizar um dos filmes mais divertidos, cativantes e pure entertainement que vi nos últimos tempos.

No meio disso, nunca esqueceram o drama e a emoção. A comédia que o filme tem raramente é forçada, e devido a isso e ao quão intenso o filme é, consegue sempre arrancar sorrisos da plateia, ainda que alguns possam vir com nervosismo.

E dou aqui o destaque para uma cena partilhada entre Thor e Rocket.
É uma cena muito curta e simples, que provavelmente passou ao lado de grande parte do público, mas gostei mais daquele minuto do que toda a duração de Thor: Ragnarok.
Não irei entrar em detalhes para não a estragar, mas prestem atenção quando eles estiverem juntos.

Tendo em conta o quão enorme é o número de personagens no ecrã, a única solução que os argumentistas e os irmãos Russo encontraram foi: criar equipas e separá-las.

É uma decisão simples, mas perfeitamente lógica e compreensiva.
Isso não só lhes permite dividir melhor o tempo de ecrã como tem o efeito de aumentar a escala da batalha e da história, ao mesmo tempo que permite aos actores respirarem e trabalharem a sua química em cenas menores.

O único inconveniente é que foi uma solução que também lhes trouxe um problema, possivelmente o maior do filme.

O facto da história saltitar tanto entre estas equipas faz com que o filme nunca tenha um só tom, o seu ritmo e momentum são prejudicados, ao ponto de a dada altura parecer que em vez de vermos um só filme, estamos a assistir a um conjunto de shorts.

Não estraga o prazer que o filme entrega, e honestamente, não tenho nenhuma solução para oferecer. Poderia sugerir esperarem para mostrar o conflito nos vários locais todo ao mesmo tempo, por uma questão de coerência, mas isso seria impossível em termos narrativos, a não ser que usassem time-lapses, o que se tornaria ainda mais confuso.

Saltando esse aspecto, e ainda nos pontos menos positivos: há algumas cenas em que se notam efeitos especiais menos trabalhados.
São poucas e passam depressa, mas há sem dúvida locais que teriam beneficiado de uma atenção maior, especialmente quando comparadas com o quão belo é o resto do filme.

Mas os pontos negativos, passam maioritariamente por aqueles dois que apontei. Mais que isso e já estaria a ser demasiado picuinhas com um filme que consegue suceder tanto em muito mais do que deveria ou seria suposto.

E isso leva-me ao maior ponto positivo do filme: THANOS!

Quem leu as minhas críticas anteriores a este tipo de filmes sabe que sempre tive um grande problema com os vilões da Marvel (excepção única para Spider-Man: Homecoming).

Os vilões nunca foram prioridade, e são apresentados como personagens uni-dimensionais, sem qualquer tipo de desenvolvimento ou conteúdo.
Um desperdício enorme para todos os actores talentosos que aceitaram o papel.

Thanos é completamente diferente, não só é o melhor vilão que a Marvel já adaptou, como é um daqueles que irá ser incluído em listas dos melhores de sempre.
Existe a tentação de comparar com o Joker de Heath Ledger, e não, não está a esse nível, até porque é um vilão de CGI, mas está sem dúvida no mesmo campo de batalha.

Josh Brolin tem aqui um dos voice works mais fenomenais dos últimos anos, com uma entrega tão poderosa que me fez arrepiar por várias vezes.
A sua voz tem uma gravidade e ameaça enorme, mesmo nos momentos mais “calmos”.

A equipa que trabalhou o CGI está aqui de parabéns, sendo algo que teve pouco motion capture, o que vemos é inteiramente criado do nada, o que só se torna mais fascinante.
Os seus movimentos e interacções com o resto do elenco são detalhadas e credíveis, mas onde ele me surpreendeu mais foi nas suas expressões faciais, especialmente quando a câmara se aproximava em momentos mais reveladores e cruciais.

Num filme tão cheio torna-se difícil identificar uma personagem principal, mas se tiver de o fazer, essa personagem é Thanos, é o filme dele, do início ao fim.
E honestamente, adorei, adorei cada segundo que ele esteve no ecrã e mal posso esperar pela sequela.

O que me leva ao final do filme.

Como é óbvio, não irei dizer qual é ou sequer andar à volta do assunto.

Só digo que este final não só é chocante e um cliff-hanger digno de season finale de uma série, como demonstra uma coragem enorme por parte dos irmãos Russo e da Marvel.
Aliás, todo o filme foi uma tarefa de titãs, e sinto-me extremamente feliz por ter podido testemunhar algo assim e dar-lhe o devido valor.

Não irá agradar a todos, mas no mínimo merece isso: respeito.

É aqui que volto para o que disse no início, para os fãs a sério, este será um filme extremamente tocante, emocional e divertido, desde o primeiro ao último segundo.
Mal posso esperar para o ver de novo com pessoas que o estejam a ver pela primeira vez.

VEREDICTO FINAL
✭✭✭✭✭✭✭✭
(8/10 )

Avengers: Infinity War é um evento digno destes últimos 10 anos de MCU.

Nota-se sem dúvida o peso de tantas personagens no ecrã e a dificuldade que isso traz em contar uma história com a consistência que gostaríamos, mas acredito que tenha sido o melhor que se conseguia fazer num só filme.

Os irmãos Russo e Kevin Feige têm de ser felicitados por aquilo que conseguiram aqui alcançar que não é nada menos que surpreendente.

Custa falar mais sem entrar em detalhes, por isso recomendo apenas que vejam o filme.
Thanos já é sem dúvida uma das minhas personagens preferidas.

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One thought on “Crítica – Vingadores: Guerra do Infinito (2018)

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